Incerteza reduz em até 30% procura por pacotes para carnaval
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 31 (AE) - A incerteza do cenário econômico e a forte oscilação do dólar reduziu em até 30% a procura por pacotes para o feriado de carnaval em agências de viagem. Para tentar melhorar o movimento, algumas empresas começam a planejar promoções para este período, dando descontos ou fazendo a conversão do dólar por um valor abaixo do mercado.
A queda no movimento também atingiu os hotéis, que registram cancelamentos de 15% a 20% nas reservas para o carnaval, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) em São Paulo. "Todo mundo está em compasso de espera - o pessoal que planeja viajar nos feriados e férias e mesmo as empresas", diz o presidente da Abih, Julio Serson.
Segundo ele, o setor teve em janeiro um índice de ocupação abaixo do esperado, em torno de 44%, quando o normal é entre 60% e 65%.
Por causa desse cenário, Serson acredita que as tentativas de vender pacotes em dólar (o governo anunciou que vai punir 23 empresas de vários segmentos por dolarizar preços, entre elas agências de turismo e hotéis) são tentativas isoladas, que não vão funcionar.
"As tarifas de hotéis, de redes internacionais, têm o dólar como referência, mas os preços são cobrados em real," afirma. Ele considera impraticável os hotéis venderem pacotes para as operadoras de turismo em dólar com essa variação mais alta e cobrar um preço de balcão mais alto ainda. "Acho que os hotéis que usam o dólar como referência vão ser até obrigados a baixar os preços em real para não perder mais clientes," diz.
Diretores de agências de viagem dizem que é comum os hotéis cinco-estrelas, principalmente no Nordeste, terem como base de preços o dólar. "Os melhores hotéis, as grandes cadeias, usam o dólar como referência para fazer as tabelas," diz o diretor da Tia Augusta Paschoal Fortunato. "Toda vez que temos flutuação no câmbio, temos problemas com os hotéis de quatro e cinco estrelas porque eles cobram em reais, mas com base no dólar", comenta o diretor da Dimensão Turismo Rubens Santos.
Na Dimensão, a virada do câmbio não chegou a prejudicar o movimento de janeiro porque 75% dos pacotes estavam fechados, mas, para incrementar as vendas de carnaval, a empresa começa esta semana uma promoção fixando o dólar em 1,59 real. "Queremos vender o pacote Carnaval no Caribe," diz Santos.
Segundo ele, até agora, foram vendidos cerca de 40% dos lugares disponíveis para este roteiro e a intenção é chegar à venda completa com a promoção. O interesse por pacotes internacionais na empresa, depois da liberação do câmbio, caiu 30%.
Na Soletur, com redução na procura por pacotes entre 10% e 20% nos dias que se seguiram à mudança cambial, a estratégia foi dar desconto de 20% nas viagens para o exterior. A Soletur foi uma das empresas multadas pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, acusada de dolarizar preços. A Soletur desmente, afirmando que houve um mal-entendido porque numa tabela interna da empresa não havia o símbolo R$ antes dos preços dos pacotes.
A Tia Augusta, especializada em viagens para a região da Disney
também teve queda de 30% no movimento, mas, segundo o diretor da empresa, essa redução acabou sendo compensada por vários pacotes de eventos corporativos, fechados antes da desvalorização do real.


