Incerteza aparece a apenas três dias das eleições israelenses
Jerusalém, 14 (AE-AP) - O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder oposicionista Ehud Barak foram deixados em suspense durante o Sabá enquanto dois concorrentes menores levantaram sugestões mas não declararam firmemente que desistirão antes das eleições de segunda-feira (17).
Novas pesquisas indicaram que Barak ampliou sua liderança sobre Netanyahu, mas a não ser que candidatos menos expressivos se retirem, o líder trabalhista não deve conseguir 50% mais um dos votos necessários para eleger-se em primeiro turno.
Todos os olhos estavam voltados para Yitzhak Mordechai, candidato do partido de centro que foi demitido da chefia do Ministério da Defesa por Netanyahu e prometeu ficar até o fim, apesar de as pesquisas lhe darem apenas 6% das intenções de voto.
Era esperado que os outros concorrentes - Azmi Bishara, primeiro candidato árabe ao cargo da história, e Benny Begin, filho do falecido primeiro-ministro Menachem Begin - se retirassem da disputa.
Barak continua na frente de Netanyahu, de acordo com pesquisas divulgadas nesta sexta-feira. Sondagens mostraram o candidato trabalhista ampliando sua vantagem em quatro pontos percentuais em relação à semana passada.
Uma pesquisa do Gallup publicada pelo jornal Maariv dá 48,5% a Barak e 35,5% a Netanyahu para a corrida entre cinco candidatos. Mordechai ganhou 4,6%, o árabe Azmi Bishara contou com 2,5% das intenções de voto e o direitista Benny Begin teve 2,1% nas pesquisas.
Em uma corrida cabeça a cabeça, a pesquisa dava 54,2% a Barak e 37,4% a Netanyahu. Foram entrevistados 1.100 adultos israelenses. A margem de erro é de 4%.
Outro jornal, o Yediot Ahronot, mostrava Barak vencendo Netanyahu por 51% a 41% em uma disputa entre os dois. A pesquisa
feita pelo Dahaf, dava vantagem de 44% a 38% a Barak no primeiro turno. Para esta pesquisa também foram entrevistados 1.100 israelenses adultos, com uma margem de erro de 3%.
O suspense nas eleições eram centralizados principalmente em Mordechai, que não deve tomar nenhuma atitude até a noite de amanhã. Se ele se retirar da disputa, aumentam as chances de Barak conquistar uma vitória eleitoral já no primeiro turno.
Acompanhado por centenas de partidários em um comício, Mordechai disse ontem que continua na corrida para primeiro-ministro.
"Não fico intimidado pelos resultados desta ou daquela pesquisa", disse Mordechai a seus entusiasmados partidários. "As eleições são a verdadeira pesquisa."
No entanto, durante a semana, aumentou a pressão para que Mordechai se retirasse. Ele também foi pressionado pela cúpula de seu partido.
"Ou Mordechai quebra o primeiro turno ou quebra sua palavra"
disse o comentarista da televisão israelense Amnon Rabonovitch sobre a determinação de Mordechai para seguir adiante com sua promessa de permanecer na corrida.
Enquanto isso, Bishara deveria retirar sua candidatura no fim de semana. Ele disse desde o início que o principal motivo de sua concorrência era reanimar os cerca de 500.000 eleitores árabes israelenses - mais ou menos 11% do eleitorado - e pressionar pelos direitos dos árabes.
A saída de Bishara seria um golpe para Barak, que como candidato trabalhista é apoiado tradicionalmente por grande parte do bloco de eleitores árabes israelenses.
O candidato de extrema-direita Benny Begin, que é contra o compromisso territorial com os palestinos, deverá decidir domingo se continua ou não na corrida eleitoral. Apesar de o apoio a sua candidatura ser escasso, o filho do ex-primeiro-ministro Menachem Begin foi levado à corrida por discordâncias pessoais contra Netanyahu.
Na noite de sábado, os candidatos e partidos farão seus últimos apelos ao público, quando serão transmitidos os últimos programas eleitorais pela televisão.





