São Paulo, 29 (AE) - Os incentivos fiscais concedidos por outros Estados estão engrossando cada vez mais a lista de empresas que fogem da capital paulista em busca de redução de encargos. Em apenas seis meses, num raio de menos de 30 quilômetros, o Sul de Minas Gerais foi contemplado com uma cifra da ordem de R$ 212 milhões em investimentos. Além de isenção de impostos, as empresas ainda recebem outros tipos de benefícios atraentes, como, por exemplo, doação da área e financiamentos por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com prazo de 5 anos de pagamento, 2 de carência e juros nos moldes TJLP mais 6,5%.
O maior investimento ficou por conta da Companhia e Fiação de Tecidos Guaratinguetá, com dez unidades fabris no Estado. Premiada com um terreno de 26 alqueires, valor de mercado estimado em R$ 230 mil, em Camanducaia, Sul de Minas Gerais, a 140 quilômetros de São Paulo, a empresa terá uma área construída de 101 mil metros quadrados e absorverá investimentos de R$ 136 milhões. A isenção dos Impostos Sobre Serviços (ISS) e Predial e Territorial Urbano (IPTU) será por cinco anos.
Com previsão para operar a partir de junho a Uniminas, como foi batizada, criará 2 mil novos postos de trabalho diretos e um faturamento projetado em R$ 2 milhões até o fim do ano. Esta primeira etapa começa com 600 funcionários. "A estimativa é beirar R$ 20 milhões em dois anos", revela uma fonte da área.
A Bauducco, líder no setor de panetones, fabricante também de bolos e biscoitos, seguiu a mesma trajetória e inaugura a primeira de duas plantas em Extrema, Sul de Minas Gerais, no início do segundo semestre. O projeto global totaliza R$ 40 milhões e a capacidade instalada é de 33 toneladas/ano, informam técnicos da prefeitura. Numa área de 20 mil metros, serão criados 300 empregos. A unidade irá produzir biscoitos amanteigados. Segundo dados da prefeitura, haverá isenção de IPTU e ISS por cinco anos. A Bauducco recebeu uma linha de financiamento de R$ 8 milhões do BDMG e o restante foi capital próprio. Com 100% de capital nacional, a empresa conta hoje com duas fábricas em São Paulo. Ainda não está previsto o início da construção da segunda fábrica.
Nem bem chegou no País, a norte-americana Legget Platt, com um faturamento mundial anual de US$ 3,8 bilhões, líder no segmento metalúrgico, encontrou uma maneira de economizar, reduzindo custos. Fechou a unidade em São Paulo, antiga Spring Flex, adquirida há seis meses, transformando-a num centro de distribuição e dispensando 80 funcionários. "Os custos vão cair pela metade na fábrica construída em Camanducaia", comemora o diretor-comercial da empresa, Osmani Sobral.
Programada para entrar em operação em abril, a Legget, irá desembolsar US$ 15 milhões e conta com 210 empregados, trabalhando em três turnos. Além dos incentivos fiscais, a norte-americana ganhou um terreno com área de 18 mil metros quadrados, estimado em R$ 50 mil, e linha de crédito da BDMG. "Nossa intenção é construir várias unidades na região", afirma.
Há seis meses, a antiga Spring processava 1.600 toneladas de arame/ano. "A meta é duplicar o volume atéo final deste ano", conta. Em Camanducaia, a empresa irá produzir molas para colchão, estofados e assentos de carros. Sobral conta que também buscou recursos do BDMG, mas não quis dar detalhes.
A metalúrgica Rhodes, ao contrário, não pretende fechar a unidade de São Paulo, mas reduzir o quadro de funcionários de 210 para 130. "As demissões já começaram e irão parar no final de março, quando a unidade de Cambuí, no Sul de Minas, entra em operação", afirma o presidente da empresa, José Claúdio de Almeida Barros.
Fabricante de estrutura para cadeiras, a Rhodes, por meio do BDMG, contraiu um empréstimo de R$ 2,2 milhões dos R$ 6 milhões investidos na nova unidade. Isenção do IPTU e ISS por dez anos e doação de 25% do valor do terreno de 20 mil metros quadrados foram os incentivos recebidos. A produção atual de 50 mil estruturas/mês deverá saltar para 70 mil e o objetivo é exportar para toda a América Latina.
Pelas contas de Barros, a receita bruta estimada em R$ 15 milhões deverá alcançar R$ 18 milhões em 2001. "Teremos incremento mínimo de 30% enquanto o mercado cresce, no máximo, 10%", aposta. O otimismo é perfeitamente explicável.
A Rhodes selou joint-venture com a italiana Co.Fe.Mo., no que diz respeito a troca de tecnologia. A associação com outra italiana, a Ivars, que também atua na mesma linha, reza injeção financeira de 19% referente ao valor patriomonial. "Em breve, nossos produtos também ganharão mercado italiano", comemora.
A preferência pela região, explicam, dá-se pela proximidade com a capital paulista, tendo em vista a duplicação da Rodovia Fernão Dias. A distância é mínima e não encarece o frete. O Sul de Minas Gerais é tido como pólo industrial desde o início da década, quando começou a abrigar empresas de porte, entre elas, a Knoor, em Pouso Alegre, da Refinações de Milho Brasil, subsidiária da norte-americana Bestfoods, que há menos de dois meses adquiriu a Arisco. A Alpargatas e dezenas de outras na mesma grandeza estão entre as que se instalaram na mesma região.