Incentivos devem ser menores no novo acordo sobre carros
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 25 (AE) - Os governos federal e estaduais deverão reduzir os incentivos fiscais no novo acordo emergencial do setor automobilístico. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do carro popular, que na primeira fase baixou de 10% para 5%, deverá ficar em 7% ou 7,5%, e o do carro médio, que estava em 17% (reduzido de 25% ou 30%, dependendo do modelo), deverá ficar em 20%.
O governo paulista também pretende fixar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 10%. Na primeira fase do acordo o tributo havia baixado de 12% para 9%.
Essas foram algumas das medidas acertadas na reunião para renovação do acordo emergencial, que até às 19h25 de hoje ainda não havia terminado. No início da noite surgiu a idéia de escalonar o aumento do IPI do carro popular em três meses, mantendo 5% em junho, com 7% em julho e 9% em agosto.
Já está acertada estabilidade no emprego por 120 dias. Faltava definir ainda o bônus que as montadoras vão dar. Pelo menos no carro popular a tendência é uma bonificação de R$ 350 00. Dependendo desse bônus não haveria aumento de preços.
Mas se a bonificação ficar em R$ 350,00 para o carro popular e em R$ 250,00 para o médio, a exemplo da primeira fase do acordo, haveria reajustes de preços por conta do aumento dos impostos.
Preços - Mesmo que o acordo emergencial permita aumentos de preços, a indústria não terá como fazer reajustes porque o mercado está muito desaquecido, na opinião do vice-presidente de Assuntos Corporativos da Volkswagen, Miguel Jorge, que participou do encontro.
O mercado está parado, destacou o executivo, por conta das discussões entre o setor e o governo. "A notícia de que haverá um acordo acaba provocando um impacto psicológio e o consumidor deixa de comprar", destacou.
Autopeças - A indústria de autopeças terá dificuldade para garantir estabilidade no emprego durante 120 dias, segundo o diretor do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Elias Mufarej. O setor trabalha com ociosidade elevada em razão da falta de encomendas provocada pela retração no mercado de veículos. A indústria de autopeças tem cerca de 270 mil trabalhadores e as montadoras, pouco mais de 90 mil.
Os técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) afirmam que o novo IPI proposto pelo governo federal não vai ajudar na recuperação do mercado.
A alíquota desse imposto no carro popular hoje é de 5% e no carro médio, de 17%. Se subir, respectivamente, para 7% ou 7 5% e 20%, haverá repasse no preço final de no mínimo 2%. "Isso não vai adiantar", destacou o economista Osvaldo Cavignato, da subseção Dieese de São Bernardo do Campo, que também participou da negociação de hoje.
O encontro, realizado no Palácio dos Bandeirantes, reuniu representantes do governo, da indústria, dos trabalhadores e de consultores. Cerca de 40 pessoas participaram da reunião da renovação do acordo automotivo. O governador de São Paulo, Mário Covas; e a direção da Anfavea, associação da indústria, que estava acompanhada por representantes das montadoras Volkswagen, Ford, Toyota, Mercedes Benz, Honda e Renault; a indústria de autopeças e os concessionários também enviaram representantes, assim como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, cujos representantes estavam acompanhados de dirigentes de São Paulo, ABC, Vale do Paraíba e Osasco.
Os governos do Paraná e de Minas Gerais enviaram seus secretários de Indústria e Comércio para participar da reunião com os secretários de São Paulo. Além desses, havia quatro técnicos da Trevisan, a consultoria que foi contratada pelo governo federal para checar os balanços das montadoras.
Também estava presente o secretário de Política Industrial do governo federal, Hélio Mattar.


