Incêndios continuam fora de controle no MS; fogo já consumiu mais de 50% da vegetação nativa do Estado
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, 08 (AE) - Fortes rajadas de vento estão provocando o aumento dos focos de incêndio em áreas florestais do Mato Grosso do Sul. O fogo já atinge 45 dos 77 municípios do Estado. Hoje, uma área de quase 100 mil hectares, entre os municípios de Bonito e Porto Murtinho, local reservado para instalação do Parque Nacional da Serra Bodoquena, foi atingida. O fogo coloca em risco as belezas naturais do lugar. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Egon Krachchcke, está impossível combater o fogo com aviões bombeiros, devido a falta de visibilidade.
O secretário disse hoje que pediu a presidente do Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marreco, a volta do avião Navajo, dos Estados Unidos. A aeronave é equipada com sensores desenvolvidos pela Agência Espacial norte-americana (Nasa), para localizar os focos de incêndio, facilitando a ação dos aviões de combate ao fogo. Quanto a região da Bodoquena, explicou que está com uma força-tarefa terrestre procurando evitar que o fogo se espalhe para a futura na reserva ecológica. Desastre - Segundo estimativas do Departamento de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, mais de 50% da vegetação nativa no Estado foram consumidos pelo fogo. O vice-reitor da universidade, Amaury de Souza lembrou que além da destruição da natureza no MS, ainda existem outras consequências. A pior delas, disse, são as primeiras chuvas que chegam, muito ácidas, destruindo lavouras e hortas, principalmente. Em seguida, as enxurradas levam as cinzas dos grandes incêndios para o leito dos rios mais piscosos. O alumínio das cinzas em contato com a água produz hidróxio de alumínio, uma mistura letal para vida aquática, que sempre resultou em enormes mortandades de peixes nos rios do Pantanal.
De acordo com o vice-reitor, qualquer organização-não governamental pode acionar judicialmente o Ibama por permitir a realização de queimadas no período mais seco do ano, salientando que a proibição das queimadas este ano chegou muito tarde. "A universidade tem à disposição dos ambientalistas dados técnicos que podem ajudar em um processo judicial contra o Ibama, que poderá ter cometido um grande crime ambiental". Chuvas - A expectativa de chuvas no Pantanal é crescente, mas as previsões não são nada animadoras. Segundo o Departamento de Meteorologia da Embrapa Gado de Corte com sede em Campo Grande, as chuvas acontecerão dentro de três dias, em pontos isolados do MS, mas no máximo choverá dez milímetros por metro quadrado, o que é muito pouco. Hoje choveu em média apenas 6 milímetros no lado sul do Estado. Na cidade de Amambaí, onde as precipitações foram mais acentuadas, não chegaram a 3 milímetros por metro quadrado.


