Incêndios ameaçam 80% do território
Agência Estado
De Brasília
A presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marreco, afirmou ontem que cerca de 80% do território brasileiro está sob risco crítico de incêndio. Por três motivos: umidade do ar baixa, temperatura alta e o registro, apenas ontem, de 1.573 focos de incêndio. Estão livres do risco apenas o litoral do Nordeste, parte do Rio Grande do Sul, Roraima, Amapá, Norte do Pará e do Amazonas, além do sudeste do Acre. Apesar do quadro, Marília garante que a situação está sob controle.
Ontem, foram registrados incêndios na Serra das Araras (MT), no Parque Nacional do Araguaia (TO), na Serra da Bodoquena (MS) e no Parque Estadual Rola Moça (MG). O avião equipado com sensores e câmeras digitais da Nasa, agência espacial americana, que começaria hoje a pesquisa na Amazônia foi desviado para o Mato Grosso do Sul para levantar a dimensão do incêndio na Serra da Bodoquena. O fogo está consumindo uma área próxima ao local que o governo pretendia transformar em parque nacional.
As queimadas na Serra da Bodoquena são irregulares, disse Marília. Ela garante que bombeiros e fiscais do Ibama têm condições de localizar o provocador do incêndio e lembra que a região é de fazendeiros e que nas três audiências públicas para discutir a criação do novo parque nacional eles foram contra.
O Estado do Mato Grosso do Sul está preocupando o governo por causa da resistência cultural em buscar alternativas às queimadas para limpeza do terreno e pelo ritmo crescente de registro de focos de incêndio. Marília explica que na região do Arco do Desflorestamento na Amazônia (uma faixa de 1,8 milhão de hectares) já se conseguiu bons resultados na conscientização dos fazendeiros sobre o uso das queimadas.
A avião Navajo, com instrumentos da Nasa, saiu de Brasília às 15 horas de ontem, mas somente faria o sobrevôo na manhã de hoje. A bordo da aeronave seguiram dois especialistas do Ibama em incêndios florestais que deverão verificar a extensão da frente do incêndio.
O coordenador do Programa de Prevenção e Controle às Queimadas e aos Incêndios Florestais no Arco do Desflorestamento, Humberto Candeias, classificou de atípico os focos de incêndios no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, no restante do País, as ocorrências de queimadas em agosto foram 60% menores do que no ano passado. Candeias diz que os Estados com maior registro de focos são Tocantins, Pará, Rondônia e Mato Grosso, a maioria em solos já explorados e áreas de pastagens antigas.
O incêndio que atinge o Centro-Oeste também se alastra para os países vizinhos Bolívia e Paraguai. Segundo Marília Marreco, foi acertada na manhã de ontem cooperação para o combate de incêndio com esses países em conversa com os dirigentes de órgãos equivalentes ao Ibama.





