Incêndio no Parque de Ilha Grande está fora de controle
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Evandro fadel 
Curitiba, 01 (AE) - A diretora do Parque Nacional de Ilha Grande, um conjunto com 300 ilhas na divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul, Maudi Joslin Motta, classificou hoje como crítica a situação no local em razão do incêndio que está destruindo a área, a 700 quilômetros de Curitiba. "A nossa situação continua sendo de fogo fora de controle", afirmou. A estimativa é que 70% dos 50 mil hectares de vegetação da Ilha Grande, a maior do arquipélago, já tenham sido atingidos.
àrgãos ambientais consideram esse incêndio o maior desastre ambiental da história do Paraná nos últimos anos. "Maior perda de biodiversidade, maior em área contínua queimada
é um desastre ecológico sem precedentes", afirmou Maudi. "Para pensar em algo parecido com o que está acontecendo em todo o Estado voltaríamos à grande queimada de 1975". Sem chuvas na região há mais de 60 dias, focos de incêndio têm aparecido diariamente, mas agora ficou sem controle. "Temos um número incontável de frentes de fogo, que, se formos somar tudo dá bem mais de 200 quilômetros", afirmou a diretora do parque.
Cerca de 200 pessoas estão tentando impedir o avanço do fogo. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deslocou técnicos de vários escritórios regionais e dois helicópteros para a área. "O esforço para que as chamas não se alastrem é imensurável", disse Maudi. Uma das preocupações é que o fogo se estenda para a várzea. "Aí seguirá por terra firme atingindo pastagens secas e ameaçando as cidades", disse. "Estamos concentrando esforços para preservar a ponta norte do parque".
A polícia investiga a possibilidade de o incêndio ter sido criminoso, mas depende do resultado da perícia que será feita no local. Na região, há muitos agricultores e apicultores, que usam fogo para espantar abelhas e retirar o mel. Ilhas - O Parque Nacional de Ilha Grande é um arquipélago fluvial com cerca de 300 ilhas espalhadas por 78 mil hectares ao longo do Rio Paraná. A região tem várias espécies ameaçadas de extinção como o cervo do pantanal, jacaré do papo-amarelo e onça pintada, além de vegetação rara como o pau-marfim, jacatiá e guapeva.
O Instituto Ambiental do Paraná tem observado vários focos de incêndio em outras áreas do Estado, mas o número total não foi informado. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) alertou hoje que a capacidade de produção ainda não foi afetada pela estiagem, mas a proliferação de queimadas nas proximidades das usinas, linhas de transmissão e subestações já começa a preocupar.
Nas regiões oeste, sudoeste e Vale do Iguaçu têm havido frequentes desligamentos provocados por incêndios. "A sorte tem livrado a população de maiores problemas, pois os desligamentos súbitos puderam ser contornados com manobras no sistema", disse o superintendente de Transmissão, Henrique Sérgio Corrêa de Azevedo. O Serviço de Meteorologia do Paraná (Simepar) não prevê chuvas capazes de solucionar o problema da estiagem nesta semana.


