Incêndio florestal atinge 1/4 de Roraima
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Agência Estado 
Orib Ziedson/Agência Estado
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DestruiçãoReserva ianomami próxima aos Rios Apiú e Mucajaí. Nas áreas de difícil acesso os incêndios estão incontroláveisO incêndio que destrói as florestas da área ianomami e de assentamentos, em Roraima, será combatido com helicópteros da Venezuela. Os valores da operação ainda estão sendo definidos. Há duas semanas, 120 homens do Corpo de Bombeiros e do Exército estão nos municípios de Mucajai, Amajari, Bacaraima e Alto Alegre, porém, não conseguem mais apagar o fogo utilizando a técnica do abafamento. Nas áreas de difícil acesso os incêndios estão incontroláveis. Segundo o Departamento de Meio Ambiente, cerca de 1/4 do Estado já teria sido atingido pelo fogo.
O incêndio iniciou-se nas queimadas nas fazendas de agropecuária e nos assentamentos do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra). A grande estiagem, intensificada pelo efeito El Ni¤o e pelos ventos fortes vindos da região Nordeste, propagou o fogo para a reserva dos Ianomamis.
O ajudante de ordem do Comando Geral de Polícia Militar, tenente Ronan Marinho Soares, explicou que os helicópteros pertencem à empresa Consórcio Helitec CA. A frota é composta de 22 aeronaves que têm tradição em apagar incêndios em florestas. O governo de Roraima ainda negocia o contrato da empresa, segundo o militar.
O governador Neudo Campos (PPB) espera receber hoje o orçamento da empresa venezuelana com os valores da operação. De acordo com o governador, caso a Secretaria Especial de Políticas Regionais - onde há dois meses tramita o projeto de R$ 12 milhões para as ações de combate à seca - não disponibilize os recursos, vai sacrificar o orçamento de algumas secretarias. Essas aeronaves têm capacidade de lançar sobre o fogo três mil litros de água. É uma medida emergencial e mais eficiente para apagar o fogo que ficou incontrolável nos últimos dias, disse. Campos acentuou que pedirá ajuda, novamente, ao presidente Fernando Henrique, com quem esteve anteontem tratando do assunto.
Sem equipamentos adequados e com apenas seis carros-pipa, os soldados do Corpo de Bombeiros e do Exército estão apagando o incêndio há duas semanas nas regiões de pastagem e lavouras. Na floresta equatorial, segundo o tenente Ronan Marinho, eles usam a técnica do abafamento. De acordo com ele, 70% dos homens estão destacados na região de Apiau, onde se concentram os maiores focos de incêndio, provenientes dos assentamentos. Lá, o Incra implantou os projetos Massaranduba, Vila Nova e Samauma. Como os índios Macuxis, 300 famílias de colonos perderam a lavoura e pasto. Falta água nos assentamentos. As famílias pediram cestas básicas ao Incra, disse Renato Langue, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT).


