Os focos de incêndio que destroem a Ilha do Bananal, no rio Araguaia, em Tocantins, há pelo menos 20 dias, voltaram a sair do controle dos 30 homens do Ibama, apesar de o órgão ter informado ontem que a situação estava mais tranquila. Os técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) estão concentrados nos arredores do Parque Nacional do Araguaia (no norte da ilha), lugar de grande diversidade de flora e fauna.
O fogo chegou a cinco quilômetros da sede do parque. As chamas voltaram a ficar intensas por causa dos fortes ventos da madrugada de ontem. O Ibama estima que 25% da porção norte já foi queimada. ‘‘Reforços urgentes estão sendo pedidos ao governo federal para controlar as chamas , disse Raimundo Noleto, chefe da divisão técnica do Ibama em Tocantins.
Já foram registradas mortes de filhotes de ema, alguns cervos e diversos tipos de pássaros. ‘‘Os animais ficam atordoados e não conseguem fugir do fogo, disse Edson Beiriz, administrador da Funai em Tocantins, que esteve na região dos incêndios. Para o Ibama, o fogo começou a partir das roças de toco e das queimadas para renovar os pastos, normalmente feitas por índios e pequenos agricultores. Ao sul da ilha do Bananal, onde se concentra o Parque Indígena do Araguaia, o fogo destruiu 70% da vegetação de cerrado e matou centenas de cabeças de gado.
Xingu O fogo que colocava em risco o Parque Indígena do Xingu (MT) - que chegou a apenas 4 km da área habitada por cerca de 5 mil índios - foi controlado e retrocedeu cerca de 16 km. Por causa da ação dos bombeiros, da mudança da direção do vento e da queda de chuvas, os incêndios foram controlados. No entanto, a previsão é de nova estiagem nos próximos dias, o que não afasta a possibilidade de novos incêndios.
Segundo oficiais do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, os focos de fogo estão confinados entre dois braços de rio e um pântano. Ontem à tarde, o fogo, já sob controle, estava a 20 km de distância da reserva indígena. ‘‘Não há por enquanto nenhuma ameaça ao parque indígena , disse o tenente Roger Martinez, da PM, que está em São José do Xingu.
Afastado, por ora, o risco de incêndios na reserva indígena do Xingu (MT), os Estados do Acre e de Rondônia passam a ser a maior preocupação do governo federal. Para evitar que as queimadas fujam de controle e se transformem em grandes incêndios, o Ibama irá suspender hoje autorizações para queimadas em pastagens e áreas de cultivo em vários municípios dos dois Estados. A princípio, as queimadas estarão proibidas por 20 dias, mas esse período pode ser ampliado caso permaneça a estiagem na região. Há 20 dias não chove nos dois Estados.

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