O governo de Roraima não tem mais controle sobre o incêndio que já destruiu cerca de 25% de florestas e pastagens do Estado. Além disso, o Estado enfrenta falta de água. O Corpo de Bombeiros e homens da 7ª Brigada de Infantaria de Selva do Exército estão trabalhando em diversas frentes para evitar que o fogo se alastre pelas fazendas da região. Uma brigada do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro será deslocada para o Estado para tentar reduzir os focos de fogo que se espalham pela floresta e já atingiram a área dos índios ianomamis. Alguns deles estão se deslocando para fugir do fogo. Uma pessoa morreu no interior de Roraima.
‘‘Já não temos mais controle da situação’’, admitiu o capitão Kléber Cerquinho, da Defesa Civil do Estado, encarregado dos levantamentos dos prejuízos. ‘‘Os focos de incêndio estão bem próximos uns dos outros e a possibilidade de se alastrar é muito grande’’, acrescentou Cerquinho. Algumas frentes de fogo chegam a ter de cinco a seis quilômetros de comprimento.
Seca O governo do Estado não tem uma avaliação segura dos prejuízos causados pelo incêndio, mas em algumas cidades a destruição foi total. Em Iracema, uma pessoa morreu com a queda de uma árvore incendiada e 3.870 pessoas foram afetadas, sendo que 250 perderam casas e plantações. Em Bonfim, onde não chove há oito meses, 287 pessoas estão desabrigadas e toda a pastagem está seca. Pelos levantamentos preliminares do governo, pelo menos 12 mil cabeças de gado morreram de sede e até o final da estiagem, no início de abril, este número poderá subir para 100 mil.
Em quase todos os municípios de Roraima está faltando água e as prefeituras e o governo estadual abriram mais de quatro mil poços artesianos. Na cidade de Amajari, onde fica uma reserva dos índios macuxi, o fogo destruiu cerca de 45% da área, atingindo 5.544 pessoas. ‘‘Nestas cidades há racionamento de água e não temos condições de abastecer a população’’, reconhece Cerquinho. A Defesa Civil também já levantou alguns casos de hepatite e verminoses em alguns municípios, causadas pela água contaminada. ‘‘As pessoas, na falta de água potável, utilizam qualquer tipo de água.’’ A situação está mais delicada nas proximidades do município de Mucajaí, a 80 quilômetros de Boa Vista.

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