Incêndio em maternidade põe em risco 24 bebês em SP
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 21 (AE) - Uma história trágica, amenizada por um final feliz. Vinte e quatro recém-nascidos do berçário da Maternidade-Escola Municipal Vila Nova Cachoeirinha correram sério risco nesta madrugada por causa de um incêndio no prédio, na zona norte de São Paulo. Por falta de manutenção nos equipamentos, o fogo, que começou à 1h30 na sala de descanso dos plantonistas, alastrou-se rapidamente. O empenho da equipe de médicos e bombeiros, que se arriscaram no salvamento das crianças, não houve feridos.
Ivaneide Santana de Souza, de 27 anos, acordou com os gritos. Sua primeira filha, Isabela, tinha voltado do berçário para o quarto havia pouco tempo. "A primeira coisa que fiz foi olhar para o lado, para saber se ela estava comigo", contou. Flávia dos Santos Souza não teve tanta sorte. "Foi uma correria; estava do outro lado do hospital, mas saí da cama e tentei saber do Luís Henrique", lembrou, enquanto deixava o hospital com o bebê, de 42 horas.
Apesar de todo o drama, apenas um bebê sofreu sérios riscos. Os médicos não conseguiram resgatar Oscar, nascido na noite anterior, que, como permaneceu no local por mais tempo, aspirou bastante fumaça, mas passa bem. Ele foi encontrado no chão pelos bombeiros, perto de uma poça dágua.Oscar foi deixado lá pelo médico de 67 anos que arriscou a vida para salvar os recém-nascidos. "Os carrinhos emperraram, estava tudo escuro e tive de deixar um; coloquei-o no chão, para evitar que ele inalasse a fumaça", contou João Luiz Videira de Garcia.
No berçário, a 3 metros do foco do incêndio, havia quatro bebês em estado grave. E sete pacientes adultos estavam no alojamento ao lado do berçário. Todos os bebês e cinco adultos foram removidos para o Hospital Estadual Geral da Vila Nova Cachoeirinha. Os outros dois adultos foram levados para o Hospital São Paulo.
"Os disjuntores estavam travados e a rede de hidrantes não funcionou, por falta de manutenção, que deve ser periódica"
assegurou Carlos Alberto Venturelli, diretor do Departamento de Controle de Uso de Solo (Contru), que concluiu a vistoria no local na tarde dehoje. "Outro problema foi a falta de brigadistas; não adianta ter extintores se não há equipe."Venturelli esteve no local a pedido do prefeito Celso Pitta (sem partido), que visitou o hospital e exigiu inspeções em todos os hospitais municipais. Segundo o diretor do Contru, o trabalho será iniciado assim que for liberada a lista com os endereços pela Secretaria Municipal de Saúde.
Até o fim da tarde, a perícia técnica, que deve indicar as causas do incêndio, não havia deixado o prédio. Venturelli adiantou que o mais provável é que tenha havido um curto-circuito. Uma tevê e um ventilador da sala de descanso estavam "torrados".
Buscas - Os bombeiros chegaram cerca de meia hora após o primeiro chamado.O local estava totalmente tomado pelo fogo e escuro, por causa da falta de energia. "Era uma situação de alto risco, o fogo invadia a sala", comentou o cabo Eron Ernane Figueira, de 31 anos, que, ao lado de Garcia, teve uma atuação importante no salvamento."Os hidrantes não estavam funcionando e precisamos da ajuda da equipe médica para resgatar as vítimas", disse o bombeiro. "Várias portas foram arrombadas e parte do teto despencou."
Por causa dos estragos, o hospital está funcionando com apenas um terço de sua capacidade. Duas salas ficaram comprometidas e o pronto-socorro obstétrico foi fechado. Os funcionários da maternidade municipal foram deslocados para o hospital estadual, para ajudar no tratamento dos bebês transferidos.


