Ibipor㠖 Um incêndio em uma indústria de produtos químicos de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) provocou vazamento de produtos tóxicos, que atingiu o Ribeirão Lindoia e lagoas de propriedades rurais. A empresa fica na saída para Londrina, próximo à BR-369. Um líquido escuro com cheiro forte e espuma escorreu pelas canaletas da BR-369. Na tentativa de impedir a progressão do líquido, um trator jogou terra em uma vala que liga as canaletas da rodovia às lagoas, mas não obteve sucesso.
O funcionário de uma das chácaras, Milton Ramos de Oliveira, sentiu o forte odor durante a manhã. Ele relatou que o líquido acabou matando vários peixes. A fumaça tóxica também provocou a morte de aves e plantações de banana, chuchu e chamuscou laranjeiras.
A preocupação agora é com a ocorrência de chuva. "Essa parte toda geralmente alaga quando chove e essa água pode continuar a descer dentro das represas e do Ribeirão Lindoia, que também passa pela propriedade", revelou o caseiro.
A reportagem encontrou tilápias, lambaris, cascudos, tuviras e bagres mortos em uma das lagoas que recebeu o líquido que vazou da indústria. O desastre ambiental só não foi maior porque havia um buraco provocado por uma erosão que represou parte do líquido. Foram bombeados dois caminhões-pipa desse buraco, que foram contratados pela empresa atingida pelo incêndio por exigência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas no fim da tarde de ontem ainda havia muito líquido nele. Foi possível notar uma espuma branca em vários pontos da lagoa.
Segundo o chefe regional do IAP, Raimundo Maia Campos Junior, foram identificados pelo menos cinco tipos de substâncias no líquido que vazou da indústria. "Fizemos a medição em uma das lagoas e o PH deu zero (quanto mais ácido o produto, a medição fica mais próxima de 0), ou seja, a lagoa estava totalmente ácida. Os peixes de lá morrerão todos", apontou. Ele afirmou que o IAP dará uma entrevista mais detalhada hoje, quando receber o relatório de campo dos engenheiros, mas adiantou que os danos foram "enormes".
O fogo começou por volta das 2h30 da madrugada e equipes do Corpo de Bombeiros de Londrina e de Ibiporã foram chamadas após a explosão registrada em um dos barracões. Com o impacto, o portão de ferro instalado na entrada principal do barracão foi lançado a aproximadamente 10 metros de distância.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Ibiporã, foram utilizados cinco caminhões e uma carreta, o que equivale a cerca de 50 mil litros de água, para debelar as chamas. O barracão foi parcialmente destruído. Ninguém ficou ferido. Os bombeiros ainda não divulgaram qual pode ter sido a causa da explosão.
Os funcionários da empresa foram dispensados por conta do forte cheiro no local. Técnicos do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) vistoriaram o Córrego Jacutinga, utilizado no abastecimento de água em Ibiporã. No entanto, conforme os técnicos, as substâncias não contaminaram o manancial.
Os representantes da empresa preferiram não conceder entrevista, mas funcionários suspeitam que possa ter ocorrido uma pane elétrica na área interna do barracão. A reportagem tentou contato telefônico e por e-mail com a firma no final da tarde de ontem, mas não obteve resposta. A Defesa Civil também foi procurada, mas também não atendeu as ligações.

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