Doze crianças morreram carbonizadas, ontem à tarde, em um incêndio numa creche de Uruguaiana, município distante 634 quilômetros da capital gaúcha. As crianças tinham entre um e três anos. As vítimas, meninos e meninas, que frequentavam a creche municipal Casinha da Emília, localizada em um bairro pobre da cidade, o Cohab II, estavam todas na mesma sala, do Maternal 2, e morreram carbonizadas.
Tudo indica que o fogo começou em uma estufa elétrica que estaria colocada no teto. A hipótese é de que a estufa teria caído e jogado faíscas nos colchonetes em que as crianças descansavam ou dormiam após o almoço. Era um momento do dia em que o grupo costumava ficar sozinho, sem o acompanhamento de nenhum adulto.
Como o dia estava bastante frio - a mínima registrada na cidade foi de três graus positivos - a estufa foi ligada. As crianças ficaram encurraladas pelo fogo em um dos cantos da peça e morreram abraçadas. Apenas uma delas conseguiu abrir a porta e deixar a sala, rapidamente consumida pelas chamas. Informações extraoficiais indicam que a existência de uma janela fechada e gradeada dificultou o socorro. O extintor disponível não funcionou. Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML), de Uruguaiana.
Até as 17 horas haviam sido identificadas sete das 12 vítimas: Carlos Miguel de Souza Miranda, Natiele Montanha Santana, João Fernando da Silva, Rogieri Ferreira Pontiella, Giovani Camargo da Rosa Filho, Luana Fernandes Oliveira e Márcia Elizabete Flores Gonçalves.
A Polícia Civil vai abrir inquérito para apurar responsabilidades. A diretora da creche, Marília Lopes, foi retirada do local para evitar um possível atrito com os pais das vítimas. Muitos deles estavam desesperados com a situação. Centenas de pessoas dirigiram-se à creche para saber notícias de familiares e vizinhos. Os policiais isolaram a creche.
Os bombeiros foram avisados por volta das 14h20 e, segundo o soldado José Antonio Alves, chegaram rapidamente ao local. ‘‘Evitou-se que o fogo se alastrasse para outras dependências da creche’’, relatou. Segundo ele, a distância entre o quartel, no centro da cidade, e a creche, na periferia, imediações da BR-290, é de aproximadamente oito quilômetros. Dois peritos do Instituto Geral de Perícias, de Porto Alegre, estavam viajando para Uruguaiana, cidade situada na fronteira do Brasil com a Argentina, oeste do Estado, para examinar os corpos e o local do incêndio.

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