A região de São José do Xingu, ao norte do Estado de Mato Grosso, entrou ontem em ‘‘alerta vermelho devido ao risco iminente de incêndio florestal’’. O fogo, ontem localizado em pastagens, avança em direção às florestas do Parque Indígena do Xingu e dá mostras de estar sem controle.
Essa é a primeira vez que o alerta máximo do Proarco (Programa de Prevenção e Controle às Queimadas e aos Incêndios Florestais no Arco do Desflorestamento, na Amazônia) é acionado. Esse arco é formado por uma área de 3.000 km de extensão por 600 km de largura, na região ao sul da Amazônia, atingida por desmatamentos e queimadas. O Proarco foi criado em julho, depois que o governo constatou ter falhado duplamente no incêndio florestal que atingiu Roraima entre fevereiro e abril. As falhas: não havia sistema de monitoramento e não houve reação a tempo ao fogo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou o ministro do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, Gustavo Krause, e o de Políticas Regionais, Ovídio de Ângelis, além do presidente do Ibama, Eduardo Martins, para uma reunião hoje, às 10 horas. Depois, os três seguirão para a área do incêndio. Apesar de ter criado o Proarco, que teria investimentos de R$ 27 milhões, o governo vem sendo acusado de novamente aguardar que o fogo tome grandes proporções para só então tomar providências.
Um exemplo: em julho, quando FHC foi ao Ibama conhecer o programa, sabia-se que havia cerca de 400 focos de fogo, por dia, em Mato Grosso. Na época, técnicos do Ibama afirmaram ao presidente que as autorizações para as queimadas controladas para limpeza de pastagem - que são expedidas pelo órgão - seriam suspensas.
A suspensão efetiva, no entanto, só aconteceu na sexta-feira passada, dia 28. No dia seguinte, segundo os satélites Noaa 12 e 14 (que fazem quatro imagens da área por dia), foram registrados 1.369 focos de incêndio no Estado. Uma semana antes, no dia 21, os focos chegaram ao recorde de 1.731. Por portaria, o Ibama proibiu que 28 municípios de Mato Grosso realizem queimadas - entre eles os que fazem limites com o Parque Indígena do Xingu e com o Parque Nacional do Araguaia, este também ameaçado pelo fogo.
Apesar da proibição, o Ibama afirma que o problema na área é cultural. Isso porque tradicionalmente os índios e os agricultores da região usam o fogo para limpar o mato a fim de preparar pastagens. Este ano, a situação se tornou mais grave por causa da estiagem maior que se verifica na região, associada ao fenômeno El Ni¤o. O Ibama, apesar de ter aumentado os meios de fiscalização na área (está usando monitoramento por satélite), não dispõe ainda de meios físicos e de pessoal suficientes para fazer cumprir a ordem de suspender as queimadas.
Hoje, às 13 horas, 40 homens do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal seguem num avião Hércules, da Força Aérea, para a área próxima ao Xingu. Amanhã, outros 40 seguirão para o local, onde se encontram 30 bombeiros do Estado de Mato Grosso. Muitos desses bombeiros integraram as brigadas que combateram o incêndio em Roraima. Hoje, eles estão organizados nas chamadas forças-tarefas, que podem ser acionadas em poucas horas pelo núcleo estratégico de controle do Proarco.

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