Incêndio destrói parte de fazenda invadida
Sid Sauer
De Campo Mourão
Um incêndio de causas ainda desconhecidas destruiu, anteontem à noite, cerca de 25 alqueires de pastagens da Fazenda Marajó, em Quinta do Sol (46 km ao norte de Campo Mourão). A fazenda está ocupada por cerca de 160 famílias de sem-terra desde segunda-feira. O fogo começou por volta das 16 horas, mas só depois das 19 horas o Corpo de Bombeiros de Campo Mourão foi chamado. O incêndio foi controlado perto da meia-noite.
Cerca de 30 sem-terra tentaram apagar o incêndio, mas não obtiveram sucesso. Foram os próprios acampados que chamaram os bombeiros quando perceberam que não conseguiriam controlar sozinhos o avanço do fogo. O Corpo de Bombeiros enviou ao local apenas uma viatura com dois homens um sargento e um soldado mas eles tiveram a ajuda dos trabalhadores rurais sem-terra.
Apesar de o fogo ter sido considerado de grandes proporções pelos próprios bombeiros, a destruição se limitou às pastagens. Não foi atingida nenhuma benfeitoria da propriedade nem os barracos dos sem-terra, que também estão montados numa área de pasto. Segundo a Polícia Militar, a Fazenda Marajó tem 420 alqueires, sendo 50 alqueires de pastagens. Antigos arrendatários da propriedade, no entanto, dizem que a área de pasto é bem maior.
Além dos sem-terra, estão na fazenda o administrador Erlei Aparecido Garcia e a família dele. O dono da área, Murilo de Araújo Almeida, mora em São Paulo. Os sem-terra que estão no local reclamam da falta de assistência. Eles dizem que precisam, principalmente, de leite para as crianças, de um professor para as primeiras séries e de atendimento médico. Uma reunião entre os líderes do movimento e o prefeito Narcizo Cacilha (PFL) deve ser realizada esta semana.





