Incêndio destrói mais um casarão em Salvador
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 1997
Agência Estado 
Salvador
Arquivo FolhaCentro Histórico
está ameaçado pela
precariedade do
sistema elétricoO fogo destruiu mais um casarão do centro histórico de Salvador, na manhã de ontem. Não houve vítimas. Este foi o terceiro incêndio ocorrido esta semana em imóveis antigos situados no centro da cidade. No mais grave, ocorrido terça-feira, na Rua da Gameleira, um garoto de três anos e uma mulher grávida morreram quando um sobrado de três andares foi consumido pelo fogo.
O incêndio de hoje atingiu um imóvel de dois andares situado no número 406 da Rua Carlos Gomes - não tombado pelo Patrimônio Histórico. No local funcionava uma escola de informática. O fogo teria começado por volta das 6 horas no primeiro andar do casarão e se alastrado rapidamente para o segundo andar do prédio onde havia grande quantidade de papel e material de fácil combustão. Foram os primeiros alunos a chegar na escola que perceberam o incêndio e chamaram o Corpo de Bombeiros. Os estudantes ainda ajudaram na retirada dos computadores do prédio, o que diminuiu o prejuízo. Às 8h15 o incêndio já havia sido controlado. Três equipes do Corpo de Bombeiros, com cerca de 25 homens cada, estiveram no local.
De acordo com o proprietário da escola de computação, Alex Canguçu, a maior parte dos equipamentos foi salva. As perdas, disse, foram mínimas. Segundo ele, a escola estava no seguro. Embora a perícia ainda não tenha determinado as causas do incêndio, há a suspeita que o fogo tenha começado em consequência de um curto-circuito, porque alguém teria esquecido um dos computadores ligados na noite de ontem.
Precariedade A precariedade do sistema elétrico dos antigos casarões é a principal causa dos incêndios na região do centro de Salvador. O imóvel da Gameleira pode ter sido destruído pelo mesmo motivo, apesar de haver a suspeita de que um vazamento de gás de cozinha possa ter iniciado o fogo. Além dos incêndios das ruas Carlos Gomes e Gameleira, o fogo consumiu ontem o sobrado de número 92 da Rua Barão de Cotegipe, na Calçada. O prédio, de dois andares, foi construído em 1899 e tinha as paredes revestidas com óleo de baleia. Em menos de uma hora o fogo destruiu o prédio que havia sido a casa de um conhecido educador baiano, Evilásio de Abreu Faria.


