Incêndio destrói 3 barrocos na Favela Paraguai; para alguns moradores "foi um aviso"
Incêndio destrói 3 barrocos na Favela Paraguai; para alguns moradores "foi um aviso"16/Mar, 20:00 Por Marion Frank São Paulo, 16 (AE) - Três barracos de madeira da Favela Paraguai, na zona leste da capital, foram destruídos pelo fogo no início da madrugada de hoje. Policiais militares do 21.º Batalhão - que, desde a semana passada garantem a segurança dos moradores, ameaçados por traficantes, perceberam o incêndio. Eles chamaram o Corpo de Bombeiros, que controlou as chamas em cerca de 20 minutos. Não houve vítimas. No 56.º Distrito Policial, onde foi registrado o boletim de ocorrência, o delegado Ricardo Stanev não quis comentar a natureza do incêndio. "Se foi criminoso ou não, só vou dizer depois de analisar os resultados da perícia", afirma. "Isso vai ocorrer no início da semana que vem". Aviso - O fogo destruiu barracos desocupados. Desde o início do mês, líderes do tráfico da Favela Heliópolis, vizinha da Paraguai, fazem ameaças de morte aos moradores. As moradias fazem parte do que já é chamado de "recanto desocupado" por quem continua a morar no local. Esses barracos ficam nos fundos da favela, em frente do terreno onde está sendo construído o cadeião da Vila Prudente. "O fogo foi provocado por um curto-circuito", comenta A.A, de 63 anos, que faz bicos em uma gráfica. Ao seu lado, M.V.S., de 20 anos, que trabalha como carregador, concorda: "Se essa gente queria mesmo tirar a vida de quem ficou por aqui, tinha colocado o fogo bem no meio da favela". Com o bebê de 5 meses grudado ao peito, N.L., cearense de Araripe, tem 25 anos e uma idéia fixa: sair da Paraguai. "Meu marido é teimoso, não quer ir embora, mas sou capaz de deixá-lo para me livrar deste inferno". A amiga, M.F.C., desempregada e com 33 anos, lhe dá razão. Ela tem certeza de que o fogo foi criminoso: "Foi um aviso". À noite, M. só consegue cochilar depois de confirmar, pela fresta da porta do barraco, a presença de um carro da polícia. Já R.C.S, de 43 anos, afirma que só sai da Paraguai ao ver cumprida a promessa do governador Mário Covas. "Ele garantiu terreno e material para a construção de casas em mutirão".





