Rio, 29 (AE) - Um incêndio hoje pela manhã destruiu 200 barracos e deixou pelo menos 230 famílias desabrigadas na favelaVila Turismo, no Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio. Cinco pessoas ficaram levemente feridas.De acordo com o Corpo de Bombeiros, a origem do fogo, que se alastrou rapidamente, é desconhecida. Os moradores têm outras versões para o incêndio: a explosão de uma panela de pressão, a explosão de botijão de gás, um curto-circuito num barraco ou uma vela acesa esquecida.
Os moradores culparam o prefeito, Luiz Paulo Conde, pelo incidente."O Conde prometeu remover os moradores durante a campanha eleitoral" lembrou um dos líderes comunitários da favela, Marcelo da Fonseca. "Ganhou e não cumpriu a promessa". Segundo ele, a remoção foi aprovada pela Câmara dos Vereadores pela Lei nº 2.613, de 29 de dezembro de 1997.
Cem bombeiros levaram cerca de uma hora e meia para debelar o fogo, que começou por volta das 10h, na localidade dos Sem Teto da favela Vila Turismo . Foram gastos aproximadamente 150 mil litros dágua de 10 caminhões-pipa e do canal Faria Timbó, que passa ao lado da favela. Durante a operação dos bombeiros para desocupar a área, Niro Campos, de quatro anos, chamava a atenção de moradores e equipes de resgate. Ele estava perdido da mãe, Luciana, que teve o barraco destruído no incêndio, mas sua maior preocupação era salvar o seu cachorro "Cão".
"Vamos Cão sai do meio da fumaça para não ficar doente", dizia Niro, tentando arrastar o cachorro, que era duas vezes maior do que ele. Com a ajuda de vizinhos, o menino e o animal foram levados para uma creche da comunidade.
Após o incêndio, os moradores lamentavam a perda de colchões, geladeiras, fogões e documentos, destruídos pelas chamas. "Estou revoltado, pois minha mãe perdeu tudo que comprou com sacrifício", disse o desempregado José Carlos dos Santos, de 44anos. Ao seu lado, a pensionista Amélia Regina do Nascimento, de 38 anos, moradora da favela há seis anos, chorava. "O fogo queimou o meu cartão de aposentadoria, agora, não vou poder receber a minha pensão."
Representantes da Prefeitura chegaram ao local na hora da operação de rescaldo e houve muito bate-boca com moradores, que não cansavam de xingar o prefeito. Os desabrigados acabaram sendo levados para um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) enquanto a Secretaria Muncipal de Habitação estudará um local para a construção de casas. Segundo a funcionária da Prefeitura, Sílvia Pontes, a favela Vila Turismo é considerada uma área de risco, por causa dos fios de transmissão de alta tensão da Light que atravessam a região.
Na semana passada, a Companhia de Habitação do Estado (Cehab) esteve no local e cadastrou os moradores. Segundo o presidente da Cehab, Eduardo Cunha, o objetivo do levamento era pressionar a prefeitura a iniciar o processo de remoção.

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