Incêndio destrói 12 barrocos em favela de SP
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de abril de 2000
Por Zuleika Haddad 
São paulo, 17 (AE) - Um incêndio destruiu na manhã de hoje 12 barracos na Favela Conde de Porto Alegre, na Avenida água Espraiada, localizada na zona sul da capital paulista. Ninguém ficou ferido, segundo o tenente-coronel Roberto Araújo da Silva, responsável pelo 4.º Grupamento do Corpo de Bombeiros. As chamas foram apagadas por uma equipe de 60 bombeiros.
O fogo começou por volta das 10 horas no barraco da doméstica Rosângela Pereira de Moraes, de 19 anos, mãe de Cauã, de 2, e Taiana, de 5. A doméstica, que conseguiu salvar os dois filhos, afirmou que acordou com a fumaça. "Tudo aconteceu muito rápido", disse Rosângela. "Só tivemos tempo de sair correndo".
Sem água - Segundo ela, só há água na favela durante a noite, o que impediu os moradores da Conde de Porto Alegre de tentarem apagar as chamas logo que o incêndio começou. "Pelo menos todos estão bem", disse. Rosângela e seus vizinhos não conseguiram recuperar quase nada. Dos barracos, que ocupavam aproximadamente 150 metros quadrados - a maior parte construída com papelões -, sobraram apenas cinzas.
A causa do incêndio ainda não foi descoberta pelos bombeiros. Alguns moradores disseram que um curto-circuito, provocado pela fiação elétrica clandestina utilizada em toda favela, pode ter dado início ao fogo. Morador há 8 anos da favela, o motoboy Antônio Roberto Santana Pereira, de 31 anos, caiu do telhado de sua casa quando tentava cortar os fios elétricos.
"Se o fogo atingisse a fiação, o incêndio poderia ter sido muito pior". O barraco dele, de onde saem os fios para as outras casas, não teve muitos estragos. Futuro - Maria Cícera Ferreira da Silva, de 24 anos, mudou-se para a favela há poucos meses, quando o marido comprou um barraco. Ela tinha saído para trabalhar e deixado os dois filhos
Wiliam, de 3 anos, e Paloma, de 6, em casa. Quando chegou, o incêndio começava.
"É triste ver tudo queimar", disse Maria Cícera, que, desolada, esperava a chegada do marido para decidir o que fazer. Mesmo depois do incêndio, ela não pretende sair da favela Conde de Porto Alegre. Rosângela tem a mesma opinião e quer começar tudo de novo no mesmo lugar. "Vou continuar aqui", disse.


