Incêndio de grandes proporções destrói vila em Curitiba
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sábado, 08 de dezembro de 2018
Rafael Costa <br> Reportagem Local 

Curitiba - Um incêndio de grandes proporções destruiu cerca de 100 casas na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) na noite desta sexta-feira (7), segundo estimativas dos bombeiros. A tragédia ocorreu na Vila Corbélia, uma área de ocupação. De acordo com a corporação, não houve vítimas.
Cerca de dez viaturas e 30 bombeiros combateram as chamas durante cerca de quatro horas. Segundo informações da PMPR (Polícia Militar do Paraná), o primeiro foco foi identificado por volta das 22h30. O fogo se alastrou rapidamente devido à proximidade entre as casas da vila, conforme relatou o tenente Hanauer, do CBM/PR (Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná).

Cerca de 80 pessoas desabrigadas chegaram a ser encaminhadas a um abrigo, mas já deixaram o local, segundo informações da prefeitura de Curitiba. Na tarde deste sábado, equipes da FAS (Fundação de Ação Social) atendia os moradores.
Até as 18h06 deste sábado (8), não havia informações sobre o que provocou o incêndio. Um agrupamento dos bombeiros retornaria na tarde deste sábado para fazer o rescaldo, já que a operação foi interrompida na madrugada por falta de segurança.
Segundo relatos dos bombeiros e da PM (Polícia Militar), um caminhão da corporação foi atingido por uma pedra ao chegar ao local. Um socorrista relatou ter sido atingido na nuca, "por pedra ou paulada". As equipes deixaram a vila por volta das 4h.

Ação criminosa
Em entrevista coletiva da PM na manhã deste sábado, o coronel Péricles de Matos, Comandante do 1º Comando Regional, disse que as informações preliminares indicam que o incêndio foi provocado integrantes do crime organizado em retaliação à comunidade, que teria ajudado a polícia a identificar suspeitos de assassinar um policial na madrugada de sexta-feira (7).
O soldado Erick Norio foi morto após ser atingido por uma rajada de metralhadora quando atendia uma solicitação de perturbação de sossego na Vila Corbélia pouco depois da meia-noite de sexta.
"Foi a própria comunidade que nos deu todas as informações para a elucidação desse homicídio. A comunidade, aquele setor que não se envolve com a atividade crime organizado, hoje sofreu uma reprimenda, uma retaliação do crime organizado que atuava lá", disse Matos.
Desde a morte do soldado, a polícia estava em operação no local. Além do PM, outras duas mortes por arma de fogo ocorreram no período uma delas, horas após a morte do policial. A segunda vítima, um adolescente, morreu durante esta madrugada.

A primeira residência em chamas foi avistada minutos após o atendimento da polícia a uma tentativa de roubo a um motorista do aplicativo Uber no local. Segundo a PM, ele foi cercado por oito pessoas em uma viela e sofreu um ataque a tiros, sendo atingido no pescoço. Cerca de uma hora depois, o primeiro cadáver foi encontrado. Os policiais relataram dificuldades de entrar na comunidade por ações dos próprios moradores.
O coronel Antônio Zanatta Neto, Chefe do Estado Maior da PM, disse que tanto as mortes quanto o incêndio serão investigados. Ele respondeu a questionamentos sobre acusações ouvidas por jornalistas que implicariam policiais no que seria um incêndio criminoso. Representantes de veículos também levantaram relatos de agressões a moradores e invasões de residências sem mandado judicial. O coronel rechaçou as acusações e reforçou que a polícia trabalha com a hipótese de retaliação do tráfico de drogas, apontando que há rivalidade entre facções que atuam na região.
"Todos os policiais militares estavam identificados inclusive os de serviço de inteligência. Entendemos que a grande parte que estava falando que [os policiais entraram] marchando são pessoas ligadas ao crime. Podem ser pessoas da vila de baixo, de outro estabelecimento, que estariam repelindo a atuação da PM e estaria jogando a conta desses fatos à PM. Não admitimos isso", disse. "Tudo vai ser investigado."


