Belo Horizonte - O representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, o argentino Jorge Werthein, disse ontem que o episódio da destruição de um casarão e a danificação de outro no centro histórico de Ouro Preto por um incêndio na noite de segunda-feira deverá ser incluído no relatório a ser enviado ao Centro de Patrimônio Mundial, em Paris. O conselho do centro deverá decidir pela inclusão ou não do município mineiro na lista do Patrimônio Mundial em Perigo.
Na semana passada, uma missão encaminhada pela Unesco e chefiada pelo arquiteto Esteban Prieto Vicioso, da República Dominicana, fez uma visita de três dias a Ouro Preto para averiguar o estado de conservação do conjunto arquitetônico e do patrimônio da cidade histórica, a primeira do País a ser declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. ''Obviamente esse episódio será incluído no relatório'', disse Werthein.
Ele, porém, não acredita que a destruição do prédio histórico, que era um dos maiores da Praça Tiradentes, possa complicar ainda mais a situação da cidade perante a avaliação do conselho do Centro do Patrimônio Mundial, já que a falta de medidas de prevenção a acidentes e de preservação do acervo já era evidente. Segundo Werthein, o episódio deve tornar a situação do conjunto ainda mais urgente e ''serve para mostrar que temos de atuar''.
O relatório de Vicioso deverá ser enviado em 30 dias. A partir dele, os integrantes do Centro do Patrimônio Mundial enviarão ao Itamaraty uma série de recomendações que deverão ser atendidas num prazo de cerca de um ano. ''Temos de evitar que Ouro Preto entre na Lista do Patrimônio em Perigo'', pediu Werthein, que acha prematuro dizer que a cidade corre o risco de perder o título concedido pela Unesco. ''Tenho a sensação de que as recomendações serão seguidas''.
Um trecho da Praça Tiradentes, em frente ao prédio incendiado, foi isolado. A estrutura que permaneceu em pé ameaça ruir. O incêndio atingiu o telhado de uma pousada vizinha, que também foi interditada. A rede subterrânea de eletricidade foi atingida.
No prédio, que ficava ao lado da Câmara Municipal, funcionavam seis lojas. O proprietário do imóvel, Omar Perez Filho ex-secretário de Indústria e Comércio de Minas disse que havia adquirido o casarão há cerca de seis meses e tinha a intenção de transformá-lo num hotel cinco estrelas. Ele afirmou que irá pedir ajuda técnica aos órgãos do Patrimônio Histórico e Artístico para reconstruir o casarão.
O coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público Estadual (MPE), Jarbas Soares, disse ter ''fortes indícios'' de que o incêndio tenha sido criminoso. A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico e Artístico de Ouro Preto, Marta Alves Larcher, disse que irá instaurar inquérito civil público para apurar as causas e consequências do incêndio. O Ministério Público Federal divulgou nota na qual informa que irá requisitar à Polícia Federal um inquérito criminal para apurar as causas do incêndio.

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