Rio, 12 (AE) - A luz voltou, mas o blecaute nunca mais vai sair da cabeça do veterinário Maurício Leite, de 25 anos. "Minha paz foi quebrada", disse ele, com os olhos distantes, hoje de manhã, oito horas após o fim do apagão. Um incêndio destruiu os dois quartos, o banheiro e parte da sala do apartamento de classe média baixa, no Méier, zona norte, onde a família mora há 18 anos. Ele suspeita que o incêndio tenha sido provocado pela explosão de um aparelho de tevê tão logo a energia foi restabelecida, no quarto onde dormia seu sobrinho Rafael, de 11 anos, que nada sofreu. O menino estava sozinho em casa e acabou sendo salvo por vizinhos. "Minha mãe é síndica e
por causa da falta de luz, havia descido até a portaria para saber o que estava acontecendo", contou Leite, que estava na casa de amigos na hora do acidente. "Agradeço a solidariedade dos meus vizinhos que salvaram a vida do Rafael". Apesar do pânico, o menino conseguiu retirar do apartamento em chamas Luca
o cachorro de estimação da família. Mas o canário, que estava na cozinha, morreu asfixiado.
O veterinário contou que o incêndio começou logo depois do blecaute, por volta de 22h25 de ontem. "Em pouco mais de meia hora, tudo estava praticamente destruído", disse. Segundo ele, o fogo foi controlado graças aos vizinhos, já que os bombeiros chegaram quase uma hora depois. "Se dependêssemos deles, estaríamos fritos".
Apesar de afirmar que não confia na Justiça, Leite disse que vai entrar com ação contra o Estado. O veterinário ainda não conseguiu calcular os prejuízos. "Perdemos documentos, jóias, roupas e aparelhos eletrônicos, mas o pior são as perdas emocionais", contou. "Nossa vida virou de cabeça para baixo". (Murilo Fiuza de Melo)

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