Incendiário diz que estava fazendo bem para a natureza
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 06 (AE) - O homem preso na quinta-feira à tarde por fiscais do Ibama, quando ateava fogo na mata, no parque nacional da Serra do Cipó (MG), prestou depoimento hoje na sede da Polícia Federal, em Belo Horizonte. Alvaro Casemiro Alves Braz, de 35 anos, que se disse médico, será indiciado como incendiário pela PF e enquadrado na lei de crimes ambientais. Ele não tinha propriedades rurais nas imediações do parque e alegou que estava acampado na região em companhia de um irmão, que até o final da tarde continuava desaparecido.
Braz, morador do bairro São Luiz, periferia da capital mineira, pode ter sido o responsável pela queima de cinco mil hectares de vegetação rasteira do parque, de 33 mil hectares. O incêndio, iniciado no sábado, só foi controlado na terça-feira, com o empenho de 53 homens, entre bombeiros, funcionários do Ibama e voluntários, e o auxílio de um helicóptero.
Segunda a delegado da PF Robson Fuchs, Braz declarou que estava "fazendo um bem para a natureza". "Ele contou que vinha realizando pequenas queimadas no local, desde domingo, com o objetivo de evitar grandes incêndios no parque, do qual se diz um defensor, mas não deu maiores detalhes", explicou o policial. A PF não descarta a possibilidade de que ele Braz tenha problemas mentais.
O suposto médico foi detido por fiscais do Ibama por volta das 16h30 de ontem (06), quando colocava fogo na vegetação na localidade de Capão dos Palmitos. Até as 17h, ele continuava detido e nenhum parente ou advogado havia comparecido à PF para visitá-lo. A pena prevista nos casos de crime ambiental varia de 1 a 5 anos. A sentença pode ser ampliada se o incêndio provocado pelo acusado for considerado doloso.


