Inca estimula doadores de medula óssea
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Alexandre Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio - Mulher, branca e jovem. Este é o perfil da maioria que aceitou fazer parte do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) para salvar portadores de doenças relacionadas à produção do sangue, como a leucemia. Desde que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) iniciou uma campanha para estimular o cadastro de doadores voluntários, no início de 2004, o número de pessoas que fizeram exames de sangue para se registrar passou de 64 mil para 151 mil. A meta para 2007 são 250 mil cadastrados.
Para o médico Luiz Fernando Bouzas, chefe do Centro de Transplante de Medula Óssea (Cemo) do Inca, o desafio agora é aproximar este perfil dos cerca de 900 pacientes que esperam por transplante. Enquanto 54,63% dos doadores são mulheres, por exemplo, a maioria dos pacientes, 60,55%, é homem.
Os dados foram divulgados na abertura de um seminário internacional sobre o assunto na sede do Inca, no Centro do Rio, e mostram que a maioria dos voluntários está concentrada nos estados do Sul (42,05%) e Sudeste (53,84%). A Região Norte representa apenas 0,46% do cadastro.
Além da predominância feminina, a maior parte dos doadores declarou-se branca: 79,5%. Um pouco acima da proporção de brancos no registro de receptores (Rereme): 70,4%. Já a proporção de doadores negros (4,97%) e pardos (14,22%) é menor do que a dos receptores: 6,29% e 22,16%, respectivamente. O caso que mais chamou a atenção dos médicos foi o baixo número de descendentes de orientais: apenas 1,22% dos voluntários. As informações servirão para que o Inca desenvolva ações específicas para refinar o cadastro.
''Podemos, por exemplo, atuar mais no sexo masculino informando melhor que a doação é segura, que não provoca sequelas para o doador'', disse Bouzas. ''Poderemos atingir grupos que ainda não estão representados adequadamente, como os orientais, com ações em regiões onde eles são mais frequentes''. Um destaque é o fato de 87% dos doadores estarem nas faixas etárias entre 18 e 45 anos. O cadastro jovem poderá beneficiar o Brasil por mais tempo. É possível se cadastrar até 55 anos e doar até 60.
Boa parte da importância do registro é o fato de que 65% dos portadores de doenças ligadas à produção do sangue não encontram doadores na família. O crescimento do cadastro nacional ajudou a aumentar o número de transplantes com doadores brasileiros, que já ultrapassou 45% dos casos e representa grande economia para o Brasil. Em 2003, essa proporção era de apenas 11%. Os transplantes feitos a partir de doadores estrangeiros são duas vezes e meia mais caros, custam cerca de US$ 30 mil.


