João Pessoa, 30 (AE) - Os deputados federais Inaldo Leitão (PMDB-PB) e Ricardo Rique (PMDB-PB) deixaram o PMDB e vão filiar-se ao PSDB. Um jantar, no qual foi servido bobó de camarão, no apartamento do senador Ronaldo Cunha Lima(PMDB-PB), em Brasília, que reuniu o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o líder do partido na Casa, Geddel Vieira Lima (BA), e o presidente nacional da legenda e líder da sigla no Senado, Jáder Barbalho (PA), feito para tentar fazer com que os deputados federais peemedebistas da Paraíba desistissem de ir para o PSDB não teve sucesso.
Cunha Lima, licenciado do senado por causa de um acidente vascular cerebral (AVC), apelou, em vão, para os dois deputados desistirem do ninho tucano. Depois de 24 horas, eles largaram o PMDB. Leitão e Rique justificaram a troca de partido por não suportar mais a confusão no PMDB. Dos quatro deputados da Paraíba que ainda vestem a camisa do partido, apenas Damião Feliciano, ex-PTB, segue a orientação do governador José Maranhão, reeleito por uma aliança partidária, representada pelo PDT, PSDB, PFL, PPS e PPB.
Também saíram do PMDB esta semana a presidente da ala jovem do partido, Marta Simone, o ex-deputado Gibran Asfora, os suplentes de deputado estadual Júlio César de Arruda e Antônio Pimentel Filho, o radialista Luiz Otávio e 22 prefeitos, segundo informou o PFL estadual. Mas o PMDB só contabilizou seis baixas. As saídas de Leitão e Rique causaram apreensão na base do partido, que teme futuras adesões de deputados estaduais, prefeitos e vereadores para outras agremiações políticas.
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, disse que Maranhão está destruindo o PMDB, ao se queixar do tratamento dispensado pelo governador. Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa redistribuiu recursos do Imposto sobre Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) com a finalidade de prejudicá-lo, segundo Lucena. De cada 100 reais arrecadados pelo fisco, o Estado abocanha 75% e os 223 municípios paraibanos ficam com 25%.
O governador contra-atacou, ao afirmar que Lucena não lê. Essa divisão dos recursos do ICMS foi aprovada pela Constituição de 1988 e regulamentada pelo Legislativo paraibano. Lucena contestou a lei na Justiça e perdeu. "Se o prefeito tem algum reparo a fazer, não é ao governo, mas ao Legislativo e ao Judiciário", disse o governador. "O prefeito diz o que não sabe", disse o governador, que não citou em momento algum o nome de Lucena.
A guerra entre os partidários de Maranhão e de Cunha Lima afetou a administração estadual. Quem for seguidor político de Cunha Lima pode ficar no ostracismo, e os adeptos de Maranhão são tratados a pão e água por Lucena e Cássio, filho de Cunha Lima, prefeito de Campina Grande, o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba. "Maranhão não apenas destruiu o partido como quebrou a Paraíba", disse Cássio, o porta-voz do grupo. Em quatro anos, a folha de pagamento do Estado cresceu de 56% para 69%, denunciou o prefeito campinense.
Na avaliação de Maranhão, a crise peemedebista tem origem na "megalomania" do grupo Cunha Lima, que não permite que ele governe. "Eles não querem respeitar minha autoridade"
afirmou o governador, ao exibir uma pesquisa de opinião na qual dispõe de 76% de popularidade.
"Esse grupo só tem arruaceiros", disse o governador, que não acredita numa pacificação entre as facções políticas do partido. Maranhão lembrou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) reconheceu que, em 1998, um ano eleitoral, o Estado diminuiu de 17% para 6,8% as despesas de custeio, reduziu em 44% as verbas para publicidade e os recursos para investimento aumentaram em 55% em relação a 1997.
Barbalho sugeriu, durante o jantar oferecido por Cunha Lima, que os Diretórios Municipais de João Pessoa e de Campina Grande realizassem em outubro uma pré-convenção para escolher os sucessores de Lucena e Cássio. Barbalho garantiu que, se os dois forem os mais votados, homologará os nomes deles. A sugestão de Barbalho, contudo, tem tudo para implodir de vez o PMDB paraibano, a partir da radicalização dos dois lados.
Lucena, candidato à reeleição em 2000, afirmou que, desta vez, Maranhão "não terá dinheiro para comprar votos de convencionais, como agiu por ocasião da convenção do partido para indicar o candidato a governador nas eleições do ano passado".
O preço do voto de um convencional custou R$ 50 mil, de acordo com denúncias. "Felizmente, ele não vendeu a Saelpa para comprar novamente os convencionais", disse o prefeito, ao se referir à paralisação do processo de privatização da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba, avaliada em R$ 650 milhões.
Maranhão não vendeu a Saelpa para evitar críticas dos adversários num ano eleitoral. "Não tenho pressa de vendê-la", disse o governador.
Ele lembrou que o prefeito de Campina Grande não esperou o término do processo de privatização da Companhia de Eletrificação da Borborema (Celb), mas recebeu antecipadamente R$ 30 milhões. O Ministério Público (MP) abriu inquérito para investigar a transação.

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