A crise econômica não está poupando nem mesmo os mortos. Em Santa Maria (RS), ossadas de pessoas cujas famílias atrasam o aluguel anual nos cemitérios municipais estão sendo despejadas de suas urnas funerárias.
Após a notificação da família, funcionários dos cemitérios retiram as ossadas de devedores dos locais onde estavam acomodadas. Colocando-as em pequenas sacolas de plástico, instalam-nas em um depósito. Se não houver o pagamento das mensalidades pelas famílias inadimplentes no prazo de um mês, as ossadas serão transferidas para uma vala comum. Hoje há cerca de 300 famílias inadimplentes na cidade.
O objetivo da administração dos cinco cemitérios municipais é abrir espaços para novas gavetas, pois atualmente eles estão escassos. As anuidades das gavetas variam entre R$ 36 e R$ 44 e são pagas por quem não conseguiu comprar espaços de 2m40 por 1m50 para a construção do jazigo.
Mesmo que houvesse dinheiro para comprar um terreno, atualmente não há nenhum disponível para venda, pois a construção de um prédio (para resolver o problema por 20 anos, segundo a prefeitura) utilizou o único espaço vago. O objetivo da Prefeitura de Santa Maria é privatizar o cemitério Ecumênico, o principal entre os cinco cemitérios municipais da cidade (localizada a 290 km de Porto Alegre). Só nele, há entre 12 mil e 13 mil túmulos.
De acordo com o administrador regional dos cemitérios municipais de Santa Maria, Luiz Brasil Pippi, há 20 gavetas (de 2m40 por 83cm) disponíveis. Para aumentar a oferta, a administração do cemitério tem pedido às famílias que, passados quatro anos de ocupação da gaveta, transfiram os ossos de seus mortos para uma urna de 50 cm.
‘‘Na presença dos familiares e com a sua absoluta concordância, nós já temos realizado esse serviço , disse Pippi. ‘‘Hoje (ontem), por exemplo, temos dois enterros e cinco transferências de ossadas. É provável que passemos, portanto, a ter amanhã (hoje) 23 gavetas vazias.

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