Marcos Zanatta
De Maringá
O presidente da Caixa Econômica Federal, Emilio Carazzai Sobrinho, que esteve em Maringá na semana passada, concordou que é crítica a situação dos mutuários inadimplentes na região. Ele disse que o índice de inadimplência de projetos implantados principalmente em Maringá e cidades vizinhas é um dos mais altos do País. ‘‘A situação está gerando um alto custo social’’, destacou, informando que a Caixa, junto com o Ministério da Fazenda, está buscando uma solução para o problema.
Na região existem pelo menos 3 mil mutuários com prestações em atraso, correndo o risco de perder o imóvel. O problema maior se concentra nos conjuntos construídos entre 1990 e 1993, quando a região ‘‘ganhou’’ pelo menos 3 mil moradias do projeto ‘‘Margarida’’.
Cálculos ‘‘atualizados’’ deixam o saldo devedor dessas casas em até R$ 32,6 mil, contra um valor de mercado que na maior parte dos casos não chega a R$ 12 mil. ‘‘Números absurdos que chegam a projetar Maringá como uma das que possui o maior índice de inadimplência da casa própria do País’’, lamenta o prefeito Jairo Gianoto (PSDB).
O prefeito citou casos onde os mutuários pagaram a prestação por quase 10 anos, tiveram um desconto de até 80% no saldo devedor e o valor da dívida continua acima do que a casa vale. ‘‘A situação mostra que as casas foram construídas de forma irresponsável, sem nenhuma preocupação com o futuro do mutuário’’, diz o prefeito
Gianoto lembra que, na época, os projetos traziam ‘‘uma série de vantagens’’ para órgãos públicos e construtoras. A preocupação do prefeito é que sem condições de pagar as prestações os mutuários estão deixando os imóveis, engrossando as submoradias na periferia ou em cidades próximas a Maringá.

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