São Paulo, 16 (AE) - Apesar da turbulência observada no mercado financeiro nos primeiros meses do ano, em razão da mudança no regime cambial no País, o nível de inadimplência da economia - medido pela relação créditos em atraso e em liquidação ante os créditos concedido pelo sistema financeiro - registrou ligeira queda, segundo dados do Banco Central analisados pelo Departamento Econômico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em fevereiro, comenta o banco em sua Carta Semanal, a taxa de inadimplência da economia brasileira foi de 9,3%, ante os 9,5% registrados em dezembro do ano passado. Quanto à inadimplência total do setor privado em fevereiro, o setor industrial e a rubrica "outros serviços" registraram a maior participação dos empréstimos em atraso e em liquidação. O nível de inadimplência foi de, respectivamente, 50,6% e 68,2%.
O BNDES destaca que esse elevado nível de inadimplência registrado pela indústria ante, por exemplo, o apresentado pelo comércio, deve ser, em parte, relativizado, uma vez que o total de créditos concedidos à indústria é quase cinco vezes maior que o concedido ao comércio.
Quanto ao comércio, explicam os técnicos do BNDES, utilizando dados da Associação Comercial de São Paulo, a inadimplência mostrou sinais de queda no primeiro trimestre deste ano ante igual período de 1998, contrariando, dessa forma, as expectativas pessimistas, que apontavam um expressivo aumento das concordatas requeridas e das falências decretadas em decorrência da liberação do câmbio.
O número de concordatas requeridas e de falências decretadas na capital paulista no mesmo período de comparação passou de 68 para 43 e de 357 para 298, respectivamente, o que significou quedas de 36,8% e 16,5%.
Segundo analistas da instituição, essa redução do número de concordatas requeridas e falências decretadas pode ser explicada não só por um movimento de renegociação de dívidas, mas, sobretudo, pela dificuldade de acesso ao crédito - o que levou as empresas a estar com níveis de endividamento inferiores aos registrados, caso fosse abundante a oferta de crédito.

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