São Paulo, 01 (AE) - A inadimplência na cidade de São Paulo caiu 15% em novembro, na comparação com igual período de 1998, e o total de débitos em atraso em relação ao faturamento de grandes redes de lojas recuou 40% neste semestre, ante o período de janeiro a junho deste ano.
Pesquisa informal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostra que 295 mil carnês estavam com prestações em atraso havia mais de 30 dias no mês passado só na capital, ante 347 mil em novembro de 1998. O número de inadimplentes que procuram a entidade para renegociar os débitos em atraso saltou de 700 em setembro para 1,2 mil em novembro.
Apesar desses dois indicadores da ACSP apontarem boas perspectivas para o consumo no curto prazo, a entidade está refazendo para menos as previsões de vendas para o Natal. Até o dia 10 de novembro, a perspectiva era de faturar neste ano entre 5% e 7% mais que em dezembro de 1998. A previsão atual leva em conta um crescimento entre 3% e 5% em relação ao Natal do ano passado, descontada a inflação acumulada no período.
"O Banco Central não reduziu os juros na última reunião do Copom e aumentou a incerteza para as lojas que pretendiam financiar em prazos mais longos", afirma o presidente da entidade, Alencar Burti. Ele explica que os indicadores deixaram de ser favoráveis, embora pondere que eles não são desfavoráveis
quando passaram a mostrar pessões inflacionárias. "Todos dia há dados prevendo inflação crescente."
Na análise de Burti, como os empresários acertaram as encomendas com as indústrias no fim de outubro, quando as perspectivas de vendas eram favoráveis, certamente eles compraram um volume maior de mercadorias, que possivelmente deve facilitar promoções neste fim de ano.
Reajuste - O presidente da ACSP não acredita na possibilidade de repasses de aumentos de preços para o consumidor neste Natal porque, além da massa salarial estar contida, a interrupção na queda dos juros básicos da economia deve fazer com que as vendas cresçam num ritmo menor que o esperado. Burti ilustra essa situação com o caso das revendas de veículos. "O automóvel subiu de preço e nunca se viu tanta promoção no mercado."
Para o economista da ACSP, Marcel Solimeo, os repasses de preços deverão ficar contidos nos segmentos de bens de valor intermediário, como eletroeletrônicos e artigos de vestuário. No caso de produtos básicos, como os alimentos, e nas mercadorias destinadas às camadas de maior poder aquisitivo, Solimeo acredita que os aumentos de preço deverão ocorrer, porque nesses dois segmentos há espaço para reajustes.
A frustração das vendas por causa da interrupção na queda dos juros já foi sentida no mês passado. Em novembro, o número de consultas para venda a prazo (SCPC) ficou estável em relação a igual período do ano passado; nas vendas à vista (Telecheque), o recuo foi de 6% em igual período. No entanto, a média diária de consultas para vendas à vista e a prazo de outubro para novembro cresceu 3,7% e 3,4%, respectivamente, indicando a possibilidade de um desempenho melhor neste mês.

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