Inadimplência aumentou 17% em março em São Paulo
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Mariana Martinez 
São Paulo, 18 (AE) - A parcela da população paulistana que tem algum tipo de dívida aumentou para 57% em março, ante 53% no mês anterior, dos quais 48% estão inadimplentes - um crescimento de sete pontos percentuais em relação a fevereiro, quando 41% dos consumidores tinham dívidas atrasadas. A informação é da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). Quando se compara o número de inadimplentes ao total de entrevistados pela entidade, o salto foi de 21,7% para 27,4%, um aumento de 17%.
Além do aumento da inadimplência, também cresceu o número de pessoas que não terão condições de pagar suas dívidas no próximo mês. Segundo a FCESP, 34% dos pesquisados acreditam que não conseguirão quitar seus débitos até abril, ante 29% em fevereiro.
Entre os endividados, 45% afirmam ter compromissos de curto prazo em março - cheques pré-datados, cartões de crédito -
ante 43% no mês anterior. A aquisição de dívidas de longo prazo subiu de 32,5%, entre dezembro e janeiro, para 37% neste mês.
A desvalorização do câmbio associada ao reduzido nível da atividade econômica, renda média da população deprimida, taxas de desemprego crescentes e juros altos, além da elevação da carga tributária, são as causas do crescimento da inadimplência entre os paulistanos, na avaliação da entidade.
Além disso, no segundo semestre de 98, até janeiro deste ano, a proporção de consumidores que possuía seu rendimento mensal muito comprometido com os gastos correntes (aluguel, condomínio, telefone, água, luz, etc) era de 52% em média. Em fevereiro e março, esse grupo aumentou para 56% e 55% da população, respectivamente.
De acordo com a Federação, a queda da renda disponível para o consumo de bens duráveis, semiduráveis, não duráveis e ao lazer pode expandir a inadimplência no futuro, pois quanto maior a renda comprometida com consumo corrente, menor é o dinheiro disponível para pagar as dívidas contraídas.


