Agência Estado
De Brasília
Um novo erro de comunicação no governo e a inabilidade política do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Frederico Marés de Souza, submeteu o presidente Fernando Henrique Cardoso, desnecessariamente, a mais um constrangimento. A concessão da pensão especial ao sertanista Orlando Villas-Bôas, que deveria ter se revertido em ponto positivo para o governo, pelo reconhecimento ao seu trabalho, acabou se transformando em uma trapalhada.
Ainda na gestão do ex-ministro da Justiça e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, o governo verificou que Villas-Bôas, que já estava em idade avançada, não possuía nenhum tipo de garantia de remuneração a título de aposentadoria. Por isso mesmo, Jobim propôs ao Congresso projeto de lei concedendo pensão vitalícia a Orlando Villas-Bôas e seu irmão Cláudio, já morto.
Com a aprovação da lei recentemente e o início do pagamento da pensão, não era mais possível que o governo lhe remunerasse com o DAS-2, por se traduzir em ilegalidade. Neste momento, o presidente da Funai deveria ter feito uma homenagem a Villas-Bôas para lhe dar a notícia e caracterizar a sua desvinculação daquele cargo, transformando-o em uma espécie de conselheiro do órgão. Ao invés disso, Marés escreveu uma carta a Villas-Bôas e resumiu-a em um fax, para que Villas Bôas tivesse certeza de que ele estava recebendo a comunicação.
O fax soou como desrespeito e pouco caso do governo em relação ao conceituado sertanista, considerado uma lenda viva da defesa da população indígena. A inabilidade política de Marés causou indignação em diversos setores do governo, que passaram a tomar atitudes individuais para acomodar Villas-Bôas em seus ministérios. O presidente precisou tomar à frente da situação, telefonando para pedir desculpas a Villas-Bôas e imediatamente, surgiram três propostas de trabalho para o sertanista: nos ministérios da Justiça e da Reforma Agrária e na Secretaria de Comunicação de Governo.