INA teve retração de 0,8% em janeiro2/Mar, 19:49 Por Roseli Loturco São Paulo, 02 (AE) - A indústria paulista está bastante otimista com relação às projeções de desempenho da atividade de produção para os meses de fevereiro e março, com previsão de crescimento de 0,2% e 1,8%, respectivamente - apesar da retração de desempenho registrada em janeiro, de 0,8%, se comparado a dezembro do ano passado. O Indicador de Nível de Atividade (INA), divulgado hoje pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apesar de ter registrado retração em vários setores da economia, não é considerado totalmente negativo pela instituição. Para Clarice Seibel, diretora titular de Pesquisas Econômicas, o que houve, de fato, foi uma melhora no desempenho das indústrias em São Paulo, se considerarmos a previsão feita anteriormente pela Fiesp para este mês, que era de -1,7%. "O bom desempenho da economia nacional e sua estabilidade foram os causadores do melhor resultado atingido pelas indústrias de São Paulo", avalia Clarice. Na comparação com o mesmo mês de 1999, houve elevação de 8,5% no INA das indústrias paulistas. As vendas reais na indústria de transformação registraram, em janeiro, uma queda de 4,2%, em relação a dezembro do ano passado, enquanto que, em comparação a janeiro de 1999, a recuperação das vendas foi da ordem de 6,5%. Um dos poucos setores que apresentaram crescimento do INA, e merece destaque, é o de Material de Transportes, com 0,4% de expansão neste período. O que predominou no mês de janeiro, no entanto, foram os setores que apresentaram redução de sua produção. Dentre eles os minerais não metálicos, com queda de 1 1%, material elétrico e de comunicação, com -1,3% e química, com -0,5%. As previsões para todos estes setores, individualmente, são positivas nos meses de fevereiro e março, o que, na opinião da diretora, reforça o argumento de que os resultados estão além dos previstos anteriormente, considerando o cenário macro-econômico nacional e as atuais condições dos mercados externos. A Fiesp prevê que o INA da indústria química, nos próximos meses, atingirá crescimento de 1,3% em fevereiro e 1,6% em março, enquanto minerais não metálicos, que tem a construção civil como principal indústria do setor, deve avançar nestes meses em 1,5% e 2,9%, respectivamente. Estas previsões já são consideradas consistentes pela diretora da Fiesp, considerando os atuais sinais de recuperação destes setores medidos pelo levantamento. A previsão para o setor de autopeças é de um superávit comercial de US$ 400 milhões este ano, contra um déficit de US$ 85 milhões registrado no ano passado. "Em 1999, o comportamento da produção e das vendas para o mercado interno foram bastantes afetadas pela instabilidade na indústria automobilística enquanto no mercado externo a recessão argentina prejudicou as exportações do setor", esclarece Clarice Seibel. Outros setores otimistas são os de telecomunicações, informática e componentes eletroeletrônico, que deverão repetir este ano o bom desempenho do ano passado, conforme prevê a Fiesp. Uma justificativa apresentada por Clarice para esta previsão "reside no fato de um percentual maior da renda doméstica estar sendo usado para o consumo de bens produzidos por estes setores. Por exemplo, os aparelhos celulares e computadores", disse ela. Um outro ponto a ser considerado na avaliação da Fiesp, é o grande impulso dado pela desvalorização cambial para estes segmentos. Muitas empresas de grande porte estão aproveitando e ampliando sua capacidade produtiva com o intuito de aumentar a importância do Brasil como fornecedor de diversos bens para países da América do Sul, Estados Unidos entre outros. Esse seria o caso da Compaq, da Motorola, da Ericsson e da HP. Há, no entanto, segmentos que foram prejudicados pelo fraco desempenho econômico dos países do Mercosul e que para Clarice, com a recuperação dessas economias, também deverão elevar sua produção principalmente no segmento de equipamentos industriais.