'Impunidade incentiva roubo de cargas'
Agência Estado
De São Paulo
Empresários do setor de transporte de cargas estão em contato com os deputados do Congresso a fim de reunir assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para tratar do roubo de cargas este ano. A informação é do presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC), Romeu Luft, que afirma que o roubo de cargas continua existindo por causa da impunidade. Segundo ele, esse crime é um problema para as transportadoras há 15 anos, mas a situação piorou muito desde o Plano Real.
A CPI do Narcotráfico do ano passado acabou atingindo receptadores e ladrões de carga, chamando a atenção da opinião pública para esse tipo de crime. Luft acha que o governo já tem todas as informações necessárias para atacar o problema, independentemente da realização de uma CPI. O governo sabe que há grandes comerciantes e policiais envolvidos, acredita.
Basta o policiamento aumentar para as ocorrências diminuírem, diz ele. Luft lembra que na época da CPI do Narcotráfico (entre outubro e dezembro de 99), o número de roubos diminuiu até 15% em relação aos três meses anteriores. As quadrilhas ficaram alertas, conta. Quando o governo realizou blitze nas farmácias para apreender remédios falsificados e roubados, os roubos de remédios caíram a zero, diz Luft. Mas depois a pressão relaxou e a situação voltou ao normal.
O crescimento do roubo de cargas trouxe lucros pelo menos para um setor: o de monitoramento de veículos por satélite. Enquanto a maior parte das companhias brasileiras teve um 99 difícil, a empresa de sistemas de monitoramento de frota Autotrac obteve crescimento de 50% nas vendas, em relação a 98. O ano 2000 está sendo ainda melhor para a Autotrac, que tem 85% do mercado nacional. De acordo com o gerente de marketing da empresa, Rodrigo Costa, em janeiro e fevereiro deste ano a Autotrac já vendeu mil equipamentos, 20% do total de vendas de 99.
Temos certeza de que vamos superar o desempenho do ano passado, acredita Costa. O motivo para o aquecimento das vendas não é só a preocupação com segurança, mas também a crescente modernização das empresas de transporte. As transportadoras estão se informatizando rápido e cada vez mais investem na capacidade logística, por isso precisam de monitoramento da frota, explica.
A Autotrac, presente no mercado nacional desde 94, distribui no Brasil o sistema brasileiro Omnisat, que é baseado no sistema Omnitracs, desenvolvido com tecnologia da norte-americana Qualcomm, a maior fabricante mundial de rastreadores de veículos. A Autotrac tem entre seus principais acionistas o tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet, além do BCN e do Bndes-Par. Ela utiliza o satélite Brasilsat.
Através do sistema Omnisat, a transportadora de carga consegue monitorar os caminhões de sua frota, comunicar-se com o motorista, trocar e receber mensagens. Os veículos são equipados com uma antena de comunicação e um terminal de dados. Com um computador simples, a empresa pode acompanhar a rota do caminhão e saber se o motorista parou no local determinado e se entregou a carga no horário previsto. Se o veículo por acaso for desviado, como em caso de assalto, os funcionários da empresa ficam sabendo imediatamente e podem tomar providências, diz Costa.
A Autotrac desenvolveu algumas diferenças no sistema brasileiro, em relação ao americano. Segundo Costa, o nacional incorporou medidas de segurança para dificultar assaltos, como bloqueio de combustível, acionamento automático de alarme e travamento das portas do caminhão. O gerente da Autotrac afirma que o Omnisat não só é utilizado nas transportadoras rodoviárias nacionais, como também nas principais ferrovias privatizadas e em empresas que realizam transporte fluvial.
A razão, segundo Costa, é que o sistema facilita a integração logística dos vários meios de transporte. No caso das ferrovias, a empresa detém 90% do mercado nacional. A Autotrac também planeja abertura de novas filiais em 2000 e investimentos no mercado latino-americano.Posição é defendida pela direção da Associação Nacional do Transporte de Cargas, que quer uma CPI para o setor
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