Curitiba - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, ontem, relatório dos conflitos no campo ocorridos durante o ano passado. No Paraná, foram registrados sete conflitos de terra, envolvendo 516 famílias e duas ameaças de morte. No País, 43 trabalhadores rurais foram assassinados em conflitos no campo. A principal causa do aumento dos conflitos, seguidos de morte, é a impunidade disse o secretário executivo da CPT, Jelson de Oliveira.
O relatório sobre conflitos no campo foi lançado durante missa, realizada no ínicio da noite, para lembrar os mortos em conflitos agrários no Parnaá. Foi a 6 ''Grande Celebração dos Mártires da Terra'', que contou com a presença de Lúcia e Marcos Mainko, viúva e filho do líder sem terra Diniz Bento da Silva, o ''Teixeirinha'', morto no Paraná em 1993.
A divulgação do relatório faz parte da programação da Semana de Luta pela Reforma Agrária que será encerrada no dia 17, aniversário do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. Oliveira afirma que no Paraná, o caso mais flagrante de impunidade é o de Teixeirinha, morto há 10 anos em conflito com policiais militares no acampamento de Rio Bonito, próximo a Cascavel. Ninguém foi condenado.
Para os próximos meses, a perspectiva da CPT é de mais conflitos no Estado, pela posse da terra. De um lado, são cerca de 13 mil famílias que estão vivendo em acampamentos e de outro, os fazendeiros que, percebendo o aumento da pressão, estão se organizando em milícias particulares, dispostas ao confronto.
Para Oliveira, não há como evitar o conflito apesar da boa vontade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e do governo do Estado em agilizar a reforma agrária. Ele aponta como estopim do conflito a falta de áreas disponíveis para reforma agrária e a organização dos fazendeiros no Paraná, único estado que não desarticulou a União Democrática Ruralista (UDR). No Paraná também surgiu o Primeiro Comando Rural (PCR) nome inspirado no Primeiro Comando da Capital (PCC) que lidera o crime organizado em São Paulo.
Para Oliveira, as regiões Noroeste e Central do Estado são as que apresentam mais disposição para o conflito, com a existência de ''jagunços'' para reprimir a movimentação dos sem-terra. Segundo a CPT, com a demora do governo em fazer a reforma agrária, já são 300 mil famílias no Estado que podem entrar num programa de redistribuição de terras. Essas famílias ainda não pertencem ao Movimento Sem Terra, ''mas são aquelas que foram marginalizadas do meio rural e que vivem nas periferias das cidades'', afirma Oliveira.

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