Improviso em tempo integral
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - ''Adorei. Troquei de sala três vezes'', disse entusiasmada uma aluna da 4 série da Escola Municipal Arthur Thomas, localizada na esquina das ruas Goiás e Mato Grosso, no Centro de Londrina. Uma inocência pueril de quem ainda não consegue discernir os problema ao redor.
A Arthur Thomas passou a atender as crianças em tempo integral neste ano. São apenas 300 alunos divididos em dez turmas. No período a manhã, eles cumprem as disciplinas da grade curricular como todas as escolas da rede municipal. No contraturno, participam de 12 oficinas.
''Não houve apoio pedagógico ou parâmetro. Apenas solicitaram que fizéssemos projetos. Tudo foi elaborado a toque de caixa'', disse, revoltado, um professor que preferiu ter a identidade preservada. Os docentes são obrigados a executar atividades nas mesmas salas de aula da escolarização.
A quadra poliesportiva conta com cobertura, mas a água infiltra pelas grades laterais. Quando chove poças são formadas e colocam em risco as crianças. Parte do pátio está interditada após entupimento da rede de esgoto - o piso está cedendo. ''O problema existe há mais de um ano. O local foi interditado para não colocar em risco as crianças. No entanto, em um corredor com acesso livre a todos, são deixados telhas, portas velhas e pedaços de madeira'', acrescentou outra professora.
As crianças fazem cinco refeições por dia na escola, mas as turmas precisam ser divididas por falta de espaço no refeitório. Apenas três mesas com seis bancos estão à disposição, número insuficiente para atender todos os alunos. Alguns foram vistos no chão com um prato de comida. ''Acontece'', lamentou um professor. Apenas duas funcionárias trabalham na cozinha e precisam contar com a ajuda de quatro auxiliares de limpeza para servir as refeições.
Pais ficaram espantados com os fatos presenciados pela reportagem. ''Eu tenho dúvidas sobre a qualidade do serviço, das atividades desenvolvidas e da comida'', afirmou a vendedora Luciana Oliveira. ''Eu questiono o que foi oferecido na alimentação, mas meu filho não fala. Conhecendo ele, não vem gostando'', disse a autônoma Aline Pietro. ''Nós estamos meio perdidos. Só sei que de manhã tem a parte pedagógica e à tarde, atividades. A estrutura da escola e a grade curricular não foram repassadas aos pais'', acrescentou ela.
A escola não conta com estagiários. Convênios foram firmados com a Escola de Circo e de Ginástica, mas as atividades ainda não começaram. ''Dizem que vão mandar computadores, dizem que haverá brinquedoteca, mas nada disso até agora chegou'', criticou uma professora.
Não existe segurança no portão ao final das aulas e crianças ficam sozinhas no pátio à espera dos pais. ''Ano passado tinha a tia do portão, agora não mais. A gente fica preocupado. Tem criança que não tem como ir embora e fica aqui até tarde'', revelou uma servidora. Após a visita da Folha, a diretora da Arthur Thomas foi vista auxiliando os alunos.
Parte dessas denúncias foi encaminhada ao Ministério Público (MP). A Folha procurou a secretária Karin Sabec, mas ela estava em viagem em Curitiba. A diretora da escola não comentou o assunto.
Membros do Conselho Municipal de Educação prometem vistoriar a Arthur Thomas. ''Desconhecia (as denúncias). Prometo verificar as irregularidades porque esse é o papel do Conselho, que tem caráter deliberativo, fiscalizatório e normativo. Como não temos poder de polícia, temos que oficiar o MP dizendo que medidas cabíveis não estão sendo cumpridas'', comentou o presidente Jorge Antonio de Andrade.
Ano passado, o Conselho encaminhou ao MP denúncias de irregularidades em outras duas escolas municipais com ensino integral (Moacyr Teixeira e Grêmio dos Operários). ''Visitamos novamente essas unidades e continua tudo igual. Oficiamos novamente o MP'', disse. A promotora Yara Guariente não retornou as ligações feitas pela Folha.


