Imprensa francesa reúne dados sobre Barroco brasileiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 24 (AE) - Não será por falta de informações da imprensa que os franceses deixarão de apreciar a exposição Brasil Barroco - Entre Céu e Terra, que acontecerá no Petit Palais, em Paris, de 4 de novembro deste ano a 6 de fevereiro de 200. Na semana passada, dez jornalistas especializados em cultura visitaram lugares em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, de onde sairá a maior parte das obras a serem levadas a Paris.
"Era preciso que eles conhecessem o contexto em que o Barroco brasileiro aconteceu, já que este é um estilo que não se separa da natureza e do modo de viver de quem o produziu", disse o conselheiro cultural da União Latina, Edouard Pommier, um dos curadores da mostra, ao lado do diretor do Petit Palais, Gilles Chazal, e do secretário de Cultura de Minas e ex-prefeito de Outo Preto, ¶ngelo Oswaldo.
Chazal, que também viajou com os jornalistas, disse que a exposição vai comemorar os 100 anos do Petit Palais, que pertence à Prefeitura de Paris e foi construído como o Pavilhão da França na Exposição Mundial realizada em 1900.
"Aproveitamos para festejar também o ano 2000 e os 500 anos do Brasil, olhando para o futuro e mostrando a cultura de países que terão papel decisivo no próximo século", explicou ele. "Após a exposição brasileira, será a vez do México e, em seguida, da China."
¶ngelo Oswaldo destacou a importância de os franceses conhecerem de perto a primeira manifestação artística surgida no Brasil. "O Barroco está na base da nossa cultura, não só por ter lhe dado início, mas por ser esta mistura do erudito popular que permeia toda nossa arte", disse. "Por isso, fizemos uma exposição didática, que mostrará toda sua evolução, desde a chegada dos primeiros europeus, no século 16, até o barroco tardio do século 19."
Ele lembrou ainda que, por uma questão de disponibilidade das obras e para dar unidade à mostra, os curadores deram preferência a esculturas de madeira policromada, que virão de museus e coleções particulares do Pará, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.


