Importadores mudam estratégias e estimam vendas até 20% superiores
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domingo, 19 de março de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 20 (AE)- As importadoras de alimentos de porte lançam mão de novas estratégias para recuperarem a retração nos negócios provocada, no ano passado, pela desvalorização cambial e continuarem no mercado.
A La Pastina Importadora e Exportadora Ltda., há 51 anos no mercado, e entre as três maiores empresas do ramo, encontrou maneiras de aumentar seus dividendos. Estratégia: ampliou a clientela e dobrou o investimento em marketing, fincando pé nas marcas próprias. Porém, com um diferencial do habitual, não paga a conta sozinha. A importadora divide as despesas com seus fornecedores. "Os exportadores arcam com 50% dos investimentos e o restante vem da La Pastina", informa Afonso Almeida Junior, gerente de importação.
A estabilização do dólar, ao contrário do ano passado, está garantindo a La Pastina melhores condições na negociação com seus fornecedores. "A tormenta já passou. Os exportadores estão mais confiantes nos Brasil", afirma. Isso permite, explica, uma avaliação antecipada no volume de compras, viabilizando redução dos preços nos pagamentos à vista. "Cerca de 90% dos negócios são à vista e 10% com carta de crédito e prazo de 90 dias", conta.
A queda nos preços, no primeiro caso, que chega a 4%, segundo Junior, é repassada aos varejistas. A nova política já está tendo retorno. No primeiro bimestre as vendas cresceram 15% em volume e 10% em dólar sobre o mesmo período de 1999. "Para 2000 os negócios crescem 20% em dólar e 35% em volume", afirma. Segundo ele, 1999 fechou com queda de 15% em dólar e 25% em volume.
A La Pastina conta com 700 itens e abastece todo grande varejo do País. Além do Carrefour, a importadora soma, à lista de seus três mil clientes, o Grupo Pão de Açúcar e redes supermercadistas de porte como o Záfari, localizado no Rio Grande do Sul, o Camper, em Cuiabá, e o Real, em Porto Alegre, entre outros.
Eleger determinados produtos, deixando de lado aqueles que não tinham um bom desempenho também foi uma outra arma para evitar queda nas vendas, como foi o caso da linha de chocolates, doces, geléias e licores. "Passamos a trabalhar com os líderes de mercado onde somos fortes e abandonamos aqueles que não deslancharam", explica.
"Está nos nossos planos abrir novas instalações, o que demandará investimento pesado na compra de terreno e construção de um novo prédio", afirma. Segundo, Almeida Junior, o setor de alimentos é menos suscetível à crise e a tendência de crescimento deve continuar.
Elídio Lopes Cavalcanti, diretor de marketing e vendas da Expand Alimentos, conta que a empresa "redimensionou os lucros para não perder vendas e pretende levar essa política adiante". Na sua opinião, as vendas que em 1999 empataram com as do ano anterior ganham novo fôlego em 2000 e fecham com alta entre 10% e 12%.
A Expand, comenta, adotou uma estratégia agressiva para aumentar as vendas. "Os descontos estão vantajosos e oscilam de acordo com o potencial de cada varejista", afirma. Prazos mais elásticos e vendas em consignação foram instrumentos também adotados para não minguar as vendas, além de diversificação de produtos. "Mantivemos a linha top mas inserimos também produtos de menor valor agregado.
"A economia se mostra mais forte e estável", afirma. Prova disso, é que os negócios neste bimestre ficaram 20% acima dos registrados no mesmo período do ano passado em volume e faturamento. As bebidas representam 80% na receita da empresa e o restante vem da área de alimentos. A Expand está entre as cinco maiores importadoras do país.
A Importadora Il Pianetta, com um escritório na Itália, também contabiliza resultados positivos no bimestre. "As vendas aumentaram 10% no período e fecha o ano neste patamar", avalia Pasquale Cosenza, diretor comercial. "Os preços estão compatíveis com o poder aqusitivo da nossa clientela", afirma. O forte das vendas da Il Pianetta é de massas secas e frios.


