São Paulo, 18 (AE) - Importadores de veículos enviaram ao governo federal esta semana documento solicitando que a alíquota de importação de países de fora do Mercosul seja mantida entre 20% e 23% no próximo ano. Eles temem que seus negócios deixem de ser viáveis no País caso a taxa passe para 35%, como querem as montadoras. Com esse percentual, a diferença do preço de um modelo importado e de um similar nacional vai passar de 60%.
A alíquota maior já é consenso entre as fabricantes de veículos do Brasil e da Argentina, dentro da discussão do regime automobilístico para o Mercosul, que deve entrar em vigor em janeiro. Mas além dos importadores filiados à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), enfrenta resistências entre revendedores do Uruguai e do Paraguai.
O presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, disse que o setor já está sendo penalizado com a desvalorização cambial, que fez com que a cotação do dólar passasse de R$ 1,21 em janeiro para uma média de R$ 1,95 em outubro, uma variação de 61%. No mesmo período, o preço do carro nacional subiu em média 27%.
Por conta da desvalorização e da queda das vendas no setor, as importações não deverão passar de 52 mil unidades neste ano, ante uma previsão inicial de 75 mil veículos. Mesmo que a alíquota de importação caísse para zero, Gandini garantiu que não haverá um "boom" nas importações, o que poderia prejudicar a balança comercial. "Não há mais espaço no mercado para isso ocorrer", disse.
Para o executivo, o aumento da alíquota, mesmo com o fim do limite de cotas de importação, representaria "a volta do protecionismo e do tempo em que não havia competitividade no mercado automobilístico." Gandini lembrou ainda que as 18 empresas filiadas à Abeiva mantêm hoje 587 revendas que empregam diretamente 16 mil pessoas.
Asiáticas - O empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do grupo Caoa, vai passar a representar no Brasil a marca coreana Hyundai, que estava com importações suspensas desde que a empresa comprou o grupo Kia na Coréia. Ele já é representante da Subaru e, junto com os grupos coreanos se inscreveu no programa especial do Nordeste com a intenção de construir uma fábrica na Bahia.
O investimento, no entanto, só poderá ser concretizado se o grupo saldar uma dívida de cerca de R$ 180 milhões da Asia Motors (que pertencia à Kia Motors) junto ao governo brasileiro. A empresa deixou de recolher impostos e não concretizou a construção de uma fábrica na Bahia conforme o acordo anterior do regime automobilístico.
Já a Kia Motors do Brasil, empresa presidida por Gandini
também se inscreveu no programa de incentivos da região Nordeste (criado especialmente para beneficiar a Ford) e, se o projeto for aprovado, pretende construir uma fábrica de caminhões de pequeno porte, o Bongo, no Espírito Santo ou na Bahia.

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