Importadoras adotam marcas próprias para aumentar vendas
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 10 (AE) - As marcas próprias, antes um recurso das grandes redes de supermercados, ganham cada vez mais espaço dentro dos depósitos das maiores importadoras do país, garantindo maior rentabilidade e consolidação de mercado. A La Pastina Importadora e Exportadora Ltda., há 51 anos no mercado, e entre as três maiores empresas do ramo, por exemplo está ampliando a gama de marcas próprias. "Em 1998 a empresa contava com uma linha de 37 itens que aumentaram para 53 neste ano", diz Afonso Almeida Júnior, gerente de importação. A previsão é crescer mais 20% no ano 2000.
"As marcas próprias, Dadá, Marysol e Frederick O. Strauss respondem hoje por 25% da receita global", informa. Nem a desvalorização cambial estremeceu os negócios dentro deste segmento. Pelo contrário, enquanto a venda dos demais produtos despencava, as três marcas - englobando pescados, compotas e uma outra grande variedade de alimentos - sustentaram crescimento entre 10% e 15% nos primeiros cinco meses deste ano sobre igual período de 1998, informa. No global, a importadora amargou retração no volume de negócios da ordem de 20% e outros 50% na receita. "As marcas próprias têm sido uma estratégia de consolidação de mercado e fidelização por parte do consumidor", afirma.
Novos segmentos - A Expand Group, maior importadora nacional, com faturamento estimado em R$ 100 milhões neste ano, está adotando a mesma estratégia. "É um forma de se resguardar, evitando problemas com o fornecedor", afirma Walter Zaniboni Junior, gerente de marketing.
A importadora começou a trabalhar com este segmento em fins do ano passado, trazendo para o Brasil cerca de 12 itens. "Hoje somam 17, dentro das linhas de conservas e massas secas que levam o nome La Cardinale", conta. O bom resultado está estimulando a Expand entrar em novos segmentos. "Até o final deste ano vamos atuar nos setores de chocolate, doces e congelados", diz. Ele explica que até o ano 2000 a intenção é aumentar mais 20% nesta área. Para Zaniboni este segmento ainda tem muito o que crescer. "Na Itália, existem hoje mais de 70 marcas próprias no mercado", diz. Embora não dê números, ele afirma que esta linha reduz custos além de passar confiabilidade de qualidade para a clientela.
Brasil - O Grupo Pão de Açúcar foi o primeiro na área de marcas próprias no Brasil, em setembro de 1994, com o lançamento do sabão em pó Alv. Hoje, essas marcas estão em plena ascensão no mercado brasileiro - essa categoria já representa 10% da receita dos supermercados brasileiros e registrou uma cifra de R$ 55,5 bilhões no ano passado. A projeção é de que os negócios cresçam, nos próximos dois anos, atingindo algo entre 20% e 30% das vendas totais em várias categorias. As informações constam de uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).


