Brasília, 23 (AE) - A balança comercial registrou déficit de US$ 100 milhões até o dia 22 último, resultado de um incremento súbito das importações que frustrou as expectativas de um saldo positivo significativo neste mês. Foram observadas importações não previstas de petróleo e derivados, e também de automóveis, nos últimos dias. "Não é impossível, mas difícil que se obtenha um saldo positivo neste mês", comentou um técnico da área de comércio exterior.
O aumento das importações não era esperado pelas autoridades econômicas, que sabiam da modesta reação das exportações, pelo fato de as linhas de financiamento ainda não estarem restabelecidas. O caso dos automóveis foi o que mais surpreendeu, pois não há vantagem na importação com o câmbio atual.
A explicação técnica para o fato é que as compras deviam estar represadas, à espera do desembaraço, finalmente ocorrido nos últimos dias.
Contrariando as expectativas otimistas do governo, que chegou a comemorar o saldo positivo verificado nas primeiras semanas do mês, o mercado já trabalhava com informações sobre o incremento das importações. As exportações continuam crescendo timidamente, mas em velocidade insuficiente para contrabalançar as compras do exterior.
O que vem sendo observado nos últimos dias, no entanto, não pode ser considerado uma tendência. Com o câmbio favorecendo a competitividade brasileira e a retomada dos financiamentos, os analistas são quase unânimes em afirmar que o comércio exterior vai melhorar nos próximos meses. Só não se esperava que a recuperação fosse tão lenta.
Para amparar a estimativa de crescentes saldos comerciais mensais, o governo conta com o câmbio favorável, o desaquecimento da atividade econômica brasileira e o aquecimento da economia norteamericana, do lado das exportações. O mesmo câmbio e desaquecimento da demanda interna inibirão naturalmente as importações, nos planos do governo.

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