Washington, 24 (AE) - As importações de aço dos Estados Unidos aumentaram em mais de um terço em maio, em relação ao mês anterior. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24) pelo Departamento de Comércio, em meio a duas campanhas: uma política, para a sucessão presidencial no ano 2000, e outra econômica.
Os trabalhadores e empresários do setor siderúrgico norte-americano, que ajudaram a eleger o presidente Bill Clinton
agora exigem maior proteção para seu mercado.
Segundo o Departamento do Comércio, em maio os Estados Unidos importaram 3 milhões de toneladas de aço - cerca de 30% a mais que as 2,2 milhões de toneladas de abril. Os principais aumentos foram nas compras realizadas no Brasil, na Rússia e no México. Tanto os brasileiros como os russos têm sido os principais alvos da campanha protecionistas da indústria siderúrgica norte-americana.
A campanha começou no ano passado, quando a indústria siderúrgica americana reclamou que estava sendo prejudicada por uma inundação de aço barato, exportado por países atingidos pela crise econômica que desvalorizaram a sua moeda. O Brasil - que ainda não desvalorizara o real e nem sequer havia aumentado suas exportações - foi colocado na mesma lista que a Rússia e o Japão.
Os três países foram acusados de praticarem "dumping" (venda de um produto a preços inferiores aos do mercado de origem ao custo de produção) nas suas exportações de chapas laminadas a quente. E as usinas brasileiras, apesar de privadas, foram acusadas também de estarem sendo beneficiadas por subsídios concedidos na época em que pertenciam ao estado. Tanto o Brasil quanto a Rússia preferiram negociar um acordo com o governo dos Estados Unidos, em vez de protestar sua inocência: limitariam suas exportações, em troca da suspensão das investigações.
Nesse momento, o acordo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos está sendo estudado pelo setor siderúrgico norte-americano, que poderá rejeitá-lo (como já fez com o russo). Mas suas opiniões não serão necessariamente levadas em conta pelo Departamento do Comércio, que ainda assim poderá implementá-lo.
Na segunda-feira passada, o secretário do Departamento do Comércio americano, William Daley, anunciou que iniciará outras 16 investigações em 12 países, entre eles o Brasil - desta vez sobre a prática de dumping nas exportações de laminados a frio. As usinas brasileiras foram novamente acusadas de serem beneficiadas por subsídios concedidos no passado, quando eram estatais.
Ao mesmo tempo em que iniciou novos processos, Daley pediu ao Senado norte-americano que derrubasse um projeto-de-lei do lobby siderúrgico, estabelecendo cotas para a importação de aço, argumentando que era protecionista e que qualquer crise no setor já havia sido superado. Os números divulgados hoje devem irritar a indústria local.
Mas o Departamento do Comércio diz que, no total, as importações dos primeiros quatro meses deste ano foram 9,4 milhões de toneladas - 470 mil toneladas a menos que no mesmo periodo de 1998.

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