Importações devem fechar trimestre com queda de 21%, prevê CNI
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 31 (AE) - O volume de importações no primeiro trimestre deste ano deve registrar redução de 21% em relação ao ano passado, enquanto as exportações terão queda de 18% na mesma comparação, segundo avaliam os técnicos da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O déficit comercial no trimestre está sendo estimado em US$ 700 milhões, o que representa a metade do registrado nos primeiros três meses de 1998.
Mesmo assim, os economistas da CNI classificam como "ambiciosa e pouco provável" a meta de superávit comercial de US$ 11 bilhões, acertada pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Há dois meses, prevíamos algo em torno de US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões para o saldo positivo", diz Flávio Castelo Branco, coordenador-adjunto da Unidade de Política Econômica da CNI. "Hoje, não há como fazer previsões, teríamos de rever tudo dentro de um novo cenário que ainda não está concluído."
No boletim Informe Conjuntural, divulgado hoje, o mês de abril é apontado como o ponto de partida para a volta do crescimento das exportações, seja por questões sazonais - como o embarque da soja - ou novas características conjunturais, como a provável estabilização do câmbio.
"A incerteza quanto à evolução da taxa de câmbio, juntamente com a falta de financiamento, têm sido os principais responsáveis pelo fraco desempenho das vendas externas brasileiras, sobretudo de produtos manufaturados", diz o documento.
As mudanças no quadro econômico nacional são tidas como bom sinal pelos economistas da entidade. O documento ressalta a melhoria das perspectivas para o ano e lista entre as causas uma sucessão de fatos positivos ocorridos nas duas últimas semanas, entre eles a conclusão do ajuste fiscal, o acordo revisto com o FMI, a nova forma de atuar do Banco Central, "números surpreendentemente positivos sobre inflação" e a decisão do BC de reduzir a taxa de juros.
Ao mesmo tempo em que consideram fora de alcance a meta do superávit comercial, os economistas da CNI também qualificam como "exagerada" a projeção de queda do Produto Interno Bruto para este ano de 3,5% a 4%. "Parece-nos exagerada, dadas as perspectivas de recuperação de setores que estavam asfixiados pela defasagem cambial."
Já o objetivo de superávit primário de 3,1% é tido como "um desafio para um ano recessivo, mas factível", por causa do aumento das receitas.


