Importação de petróleo é causa de déficit da balança em janeiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 23 (AE) - A importação de petróleo foi a principal causa para o déficit da balança comercial em janeiro. De toda a pauta de exportação brasileira, este foi o item cuja variação entre janeiro de 1999 e janeiro deste ano foi a maior, aumentando 125,4%. Foram importados US$ 142 milhões do produto em janeiro, contra um total de importações de US$ 63 milhões no mesmo período do ano apssado, embora a quantidade comprada tenha caído 24,38%. As exportações de janeiro foram de US$ 3,453 milhões e as importações, US$ 3,547, totalizando um saldo negativo de US$ 94 milhões.
A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, destacou, porém, que a média diária de importação de petróleo vem caindo sistematicamente, desde os anos 70, devido ao aumento da produção nacional. Ela citou como exemplo o resultado da média diária de importação no ano passado que foi de 370 mil barris, bem maior do que a média diária resgistrada em janeiro deste ano, de 170 mil barris diários. Em 1979, o Brasil chegou a importar 1 milhão de barris por dia. Naquela época, porém, o barril foi cotado a um preço médio de US$ 17. Atualmente a Petrobras produz 60% do petróleo que é consumido pelo País, mas o preço do produto está em alta, variando entre U$ 26 e U$ 29 o barril, o que mantém os gastos com importação elevados.
Essa vantagem registrada em janeiro, porém, poderá ser revertida este mês. Na semana passada, os gastos com a importação de petróleo aumentaram 61% com relação à duas primeiras semanas do mês. De acordo com a Petrobras, devido ao aproveitamento de melhores preços no mercado.
De acordo com Lytha, são boas as expectativas com relação ao aumento das exportações de commodities a partir de março, por causa do início da safra agrícola. "Vão aumentar os embarques de produtos básicos e deveremos ter um ganho na receita", disse a secretária.
O principal aumento nas exportações de janeiro foi entre os produtos manufaturados, cujas vendas cresceram 22,5%. Houve também reflexo positivo nas exportações por causa do aumento da cotação de celulose, que recuperou 47,2% do preço em relação a janeiro do ano passado, produtos semimanufaturados, como ferro e aço, que recuperaram 30,7% do valor, e alumínio bruto, que recuperou 24,6% do preço, por exemplo. Com relação aos básicos, porém, o aumento de 6,3% na receita foi possível graças ao aumento das quantidades exportadas, já que os preços continuam em baixa.


