Implosão de prédio vai durar 5s
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
O que restou do bloco 2 do edifício Palace, que desabou parcialmente no domingo, será demolido em cinco segundos. A informação é de Manoel Jorge Diniz Dias, engenheiro responsável pela Construção, Desmonte e Implosão (CDI), empresa paulista que fará a implosão. Ele garantiu que a operação não afetará os dois edifícios vizinhos e o bloco 1 do Palace. No entanto, por precaução, todos foram interditados e desocupados pela Defesa Civil até que seja concluído trabalho.
Dias afirmou que os preparativos para a implosão demoram de três a quatro dias e a demolição será no final de semana. Hoje oito técnicos da empresa começam a trabalhar no local, fazendo furos onde serão colocados os explosivos. Eles vão espalhar 40 quilos de dinamite do tipo gelatina por 200 pontos estratégicos nos dois andares do subsolo do prédio, principalmente nos pilares de sustentação.
Segundo Dias, o acionamento das cargas de explosivos será feita em intervalos de milésimos de segundo, o que diminui o abalo com a explosão e evita danos a edificações vizinhas. O engenheiro afirmou que a técnica permite também que o edifício caia sobre seu próprio eixo, sem atingir os escombros do desmoronamento de domingo ou os prédios ao lado.
Ele admitiu haver riscos para trabalhar no local, já que o edifício continua na iminência de desabar. Para tentar reduzir o problema, técnicos da Geo-Rio e da Defesa Civil e soldados do Corpo de Bombeiros colocaram ontem reforços de madeira nas estruturas do prédio. O trabalho teve de ser interrompido no final da tarde porque começou a chover, o que aumentou o risco de queda do prédio, pois os escombros do desabamento - onde está apoiado o que restou do imóvel - podem se deslocar com a água.
Alguns moradores estavam revoltados com a proibição do acesso aos apartamentos e com a confirmação da implosão. Queremos ter certeza de que foi feita uma perícia séria, atestando que a implosão é a única solução, disse a médica Carmem Lúcia Pinto, de 33 anos, moradora do apartamento 405. Exaltado, o engenheiro Flavio Moura, do apartamento 307, não admitia a implosão. É queima de arquivo, protestou. Como vão implodir o prédio sem antes fotografar meu apartamento inteiro? Segundo ele, os moradores não vão ter como provar o que possuíam e correm risco de não ser ressarcidos.
Os moradores queriam uma perícia independente feita pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe). A pedido deles, o engenheiro Fernando Costa e Silva, especializado em projetos e estruturas formado pela Coppe, foi ao local e concordou com a implosão. Sem a implosão, o prédio pode cair e afetar as outras edificações, afirmou.


