Teresina, 07 (AE) - Até as 17 horas de hoje, o principal implicado no dossiê sobre o crime organizado no Piauí, o coronel da reserva Viriato Correia Lima, ainda não tinha sido preso. Lima está em Recife e iria apresentar-se espontaneamente ao comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Valdilio Falcão.
Entrevistado ao vivo por uma emissora de TV, Falcão negou envolvimento com o bando, anunciou a prisão de dois soldados e um sargento citados no dossiê e depois chorou. O secretário de Segurança do Piauí, Carlos Lobo, agiu mais rápido. Já estão afastados das funções e sob investigação os delegados Wilson Torres e Pedro Silva. O governador do Piauí, Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, reuniu-se de manhã, durante mais de uma hora, com o Estado-Maior da Polícia Militar. À saída, assegurou não haver motivos para o afastamento do comandante da polícia, apesar da divulgação de gravações em que Lima afirma que Falcão teria comprado um avião e posto em nome de terceiros. "Se até num convento existem problemas, porque eles não haveriam aqui na PM?", indagou para jornalistas que o entrevistaram.
Hoje, chegarem a Teresina os agentes federais encarregados de dar proteção aos responsáveis pela elaboração do dossiê sobre o crime organizado. O superintentende da Polícia Federal (PF) no Estado, Robert Magalhães, o procurador Tranvavan Feitosa, o juiz federal Rui Costa Gonçalves e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí, Nelson Costa, estão sendo protegidos por oito agentes da PF.
O superintendente da PF tem evitado entrevistas, mas informou que existe um delegado federal destacado para aprofundar as investigações. Ele prometeu para segunda-feira (11) a divulgação integral das conversas telefônicas que resultaram no dossiê. Cópias do dossiê serão enviadas para o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Piauí, desembargador Augusto Falcão, e para o procurador-geral de Justiça, Antônio Linhares.
Linhares afastou das funções o promotor João Benigno Filho, citado no dossiê como membro do esquema de corrupção.
Ele disse que, como caberá ao Ministério Público (MP) acompanhar as investigações, o promotor ficará suspenso por três meses. Linhares também assegurou que vai pedir a prisão de prefeitos envolvidos na compra de notas fiscais frias para justificar desvio de recursos de programas federais de saúde e educação.
Os dois juízes citados no dossiê, Francisco das Chagas Moreira e Orlando Pinheiro, foram mantidos nos cargos. O presidente do TJ afirmou que não há nenhuma prova definitiva de que os dois cometeram qualquer irregularidade.

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