Antes da base, o ensino médio não possuía um currículo obrigatório. Todavia, eram essenciais as disciplinas de português, matemática, artes, educação física, filosofia e sociologia nos três anos. Pela nova BNCC, somente português e matemática serão matérias obrigatórias tanto no primeiro, segundo e terceiro ano do ensino médio. As outras disciplinas poderão ter a carga horária cumprida em um ano, dois ou mesmo três.

A aplicação da nova base será tanto em escolas públicas quanto privadas. De acordo com o colégio Marista de Londrina, reuniões estão debatendo a formação do novo calendário acadêmico, mas não haverá mudanças imediatas. "Ainda não se sabe como a rede vai agir sobre a nova base", informou a assessoria.

Já segundo a comunicação da Seed (Secretaria Estadual de Educação), o mesmo processo que analisou a base para o ensino infantil e fundamental será feito para esse novo documento do ensino médio. "Ele passará por um processo de apreciação, receberá propostas, será submetido à comunidade e a audiências públicas".

A Seed, por meio de assessoria, levantou questões quanto às dificuldades de adequação dos itinerários formativos em municípios menores do Estado. "Na capital e em cidades grandes como Londrina, tudo bem. Mas em cidades pequenas, há terceiros anos que podem ter 15 alunos e dois preferirem um itinerário específico. Isso geraria um problema".

Pela norma, todas as escolas terão de oferecer ao mínimo dois itinerários formativos. O presidente do CEE (Conselho Estadual de Educação), Oscar Alves, concordou com a Seed. "A maior dificuldade da implementação será essa. Os municípios pequenos, em grande maioria, têm só uma escola de ensino médio. E se essa escola não tiver condições de ofertar? Aí entra o aspecto que foi aprovado que cada escola pode incluir até 20% da carga horária a distância", justificou.

No período noturno, o EaD poderá chegar a 30%. "Porque a maior parte dos alunos trabalham durante o dia", disse. Na EJA (Educação de Jovens e Adultos), o ensino a distância poderá chegar a 80% da carga horária. "Já é uma população que quase todos trabalham. Isso tudo é para facilitar", pontuou o presidente do CEE.

"O aluno hoje tem facilidade de usar a internet, então os meios eletrônicos podem mediar o processo de aprendizagem", opinou. Em entrevista à FOLHA após a aprovação das diretrizes curriculares do ensino médio, a professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Adriana Medeiros Farias, do Departamento de Educação, comentou que as consequências do EaD para a EJA são "nefastas".

Ela, que se dedica à EJA no campo acadêmico, considerou que "oitenta por cento da oferta a distância para a EJA é resultado de uma não educação. É dizer que essas pessoas não terão acesso à escolarização e contradiz o direito público subjetivo, que todo ordenamento legal preconiza".

Isso porque muitas pessoas não têm acesso às tecnologias necessárias para esse tipo de ensino, "enquanto há um incentivo de grupos privados que ocupam essa oferta", disse a professora.

"Nós vamos fazer nossa tarefa como fizemos nesse ano mas vamos ouvir todo mundo. Professores, educadores. Vamos debater durante o ano. A implementação de fato nas escolas da BNCC para o ensino médio será em 2021. Em 2020, as escolas apresentarão as propostas pedagógicas", lembrou Oscar Alves.

A assessoria da Seed também alegou que ainda é prematuro fazer declarações e que, uma vez aprovada a nova base, será debatida com professores e com a comunidade para "colocar tudo dentro do mesmo pacote das propostas do Estado".

Ainda segundo a pasta, a aprovação do currículo estadual para o ensino infantil e fundamental de acordo com a BNCC foi "rápida" porque o CEE acompanhou todo o processo. A Seed afirmou que, em 2019, o Paraná vai percorrer o mesmo caminho. (I.F)

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