Implantes de silicone não causam doenças sérias, diz comissão
Nova York, 21 (AE-ANSA) - Uma comissão independente, formada por 13 cientistas, convocada pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos concluiu que os implantes mamários de silicone não causam doenças sérias como artrite reumatóide, lupus ou outras enfermidades crônicas. O resultado do estudo, requerido pelo Congresso, foi divulgado hoje (21), em Washington.
Os especialistas do instituto, setor médico da Academia Nacional de Ciências - uma das mais prestigiadas organizações científicas -, declararam que o cuidadoso estudo mostra que as mulheres submetidas a implantes de silicone não são mais suscetíveis do que as que não sofreram a cirurgia a desenvolver doenças crônicas. "Não há evidências para afirmar que os silicones usados em transplantes são tóxicos aos humanos", informa o relatório.
"Embora as pesquisas não mostram o risco de doenças crônicas decorrentes dos implantes de silicone, está claro que podem causar problemas sérios, declarou Stuar Bondurant, da Universidade da Carolina do Norte, e quem presidiu a comissão.
Foram analisados pelos especialistas centenas de estudos, especialistas, mulheres que alegaram complicações médicas e companhias que produzem os implantes. Concluiu-se que a maioria dos problemas se originou de traumas pelo implante cirúrgico de um material extra na mama.
Os problemas mais sérios documentados são em relação à contração do tecido que fica em volta do implante, à ruptura do material ou ao desenvolvimento de infecções. Conforme o relatório, as mulheres geralmente acham pouco confortável o implante e acabam retirando-o. O Instituto de Medicina estima que entre 1,5 milhão a 1,8 milhão das norte-americanas sofreram essa cirurgia, em 70% dos casos o objetivo foi o de aumentar o tamanho da mama e no restante, para reconstrução mamária após uma mastectomia.
Sybil Goldrich, fundador da Command Trust Network, um serviço de informações para mulheres com problemas relacionados ao silicone, critica a investigação, porque diz ser "extremamente difícil aceitar o que o Instituto de Medicina afirma porque todos os estudos analisados foram finaciados por laboratórios".
"Não me convenceram", acrescentou. Tommy Jacks, advogado de Austin, Texas, cujo escritório representa 425 mulheres com implantes, disse que duvida que o relatório seja a última palavra sobre o assunto. "Esse relatório é apenas uma revisão da literatura feita por uma comissão que chegou a uma conclusão, é precipitado acreditar que será a última palavra sobre implantes de mama", disse Jacks.
Especula-se que, em razão de o relatório ter sido feito por um instituto renomado, as ações judiciais contra as companhias devam sofrer alteração provavelmente as pacientes passarão a aceitar os acordo com as empresas, em vez de levá-las à Justiça. No ano passado, a Dow Corning, aceitou pagar US$ 3,2 bilhão a mulheres que a processaram. A companhia entrou com pedido de falência, alegando o valor das indenizações.





