Campo Grande, 3 (AE) - Os implantes de ossos humanos estão sendo substituídos por pedaços de um coral, encontrado no mar da costa da Califórnia (EUA), no Hospital Universitário de Campo Grande. A técnica foi desenvolvida pelo professor de Ortopedia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Arthur Silveira de Figueiredo, que estudou o assunto durante três anos consecutivos para defender sua tese de doutorado, denominada "Implantação de Fragmentos de Corais na Substituição de Ossos".
A tese foi apresentada sexta-feira passada, no I Fórum de Cirurgia Experimental, realizado na Escola Paulista de Medicina e ganhou o primeiro lugar entre 58 trabalhos apresentados, procedentes de vários Estados brasileiros. Ontem (2), o professor exibiu a pesquisa ao reitor da universidade, Jorge Chacha, e recebeu autorização para iniciar as operações em seres humanos no país.
O pesquisador que iniciou os implantes em humanos, hoje, no Hospital Universitário, disse que realizou implantes de coral em pessoas fora do Brasil, juntamente com equipe médica norte-americana de Irvine, na Califórnia, onde tomou conhecimento das propriedades do coral e descobriu a modalidade de implante.
O material é importado em placas de quatro centímetros de comprimento por um de largura, ao preço de US$ 120,00, mas existe um importador no Rio de Janeiro que descobriu a pesquisa e conseguiu exclusividade na comercialização do produto, do mesmo tamanho, que está vendendo a US$ 900,00. O professor acredita que, através da universidade, poderá evitar a compra do coral através do importador brasileiro. O coral é completamente tomado pelo sangue quando implantado, e o sangue acaba transformando os fragmentos de coral em osso.
O material é conhecido pelo nome de "Replamim Neform", e entre as várias vantagens que possui, evita que pedaços de ossos sejam retirados do paciente, para serem implantados na parte degenerada do osso do enfermo. A novidade também dispensa doadores, que geralmente são os parentes mais próximos dos doentes, principalmente a mãe. Além disso, os ossos implantados podem transmitir todas as doenças dos doadores aos receptores, o que não acontece com o coral.

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