Araraquara, SP, 20 (AE) - A implantação do sistema de lotações para o transporte de passageiros está causando polêmica em Araraquara. Os motoristas da Companhia Troleibus de Araraquara (CTA), empresa que detém a concessão do transporte coletivo na cidade, temem perder o emprego com a concorrência das lotações e ameaçam entrar em greve. Os perueiros definiram que o preço da tarifa será igual ao da CTA (90 centavos), estabeleceram trajetos para 20 bairros e marcaram o início do serviço para a próxima semana.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Araraquara, Amador Bandeira, disse que a greve tem por objetivo pressionar a prefeitura a adotar medidas contra os perueiros. "Além provocar desemprego na CTA, as lotações põem em risco todo o serviço social atualmente oferecido, como o transporte gratuito de idosos, policiais militares e carteiros, que não será feito pelas vans", declara Bandeira.
A prefeitura é contrária à regulamentação do sistema alternativo, alegando que as lotações colocariam em risco a estrutura de transporte coletivo existente na cidade. O secretário municipal dos Transportes, João Luiz Ultramar, promete agir com rigor contra os perueiros. "Vamos cumprir a lei, que prevê a concessão do transporte coletivo urbano à CTA até o ano 2008", afirma. Ultramari agendou para amanhã, dia 21, uma reunião com as polícias militar e civil, para impedir o trabalho irregular dos perueiros, por meio de aplicação de multas e apreensão dos veículos.
Favorável à regulamentação do transporte alternativo, o vereador Edson da Silva (PT), afirma que incentivar a prestação de serviços é a melhor maneira de gerar empregos. Ele defende uma tarifa diferenciada, de R$ 1,50, para não haver concorrência com os ônibus da CTA, como única forma de tentar aprovar a regulamentação na Câmara.
O vereador avalia que as lotações podem explorar um novo nicho do mercado de transporte de passageiros."Em Araraquara, existe uma média de um automóvel para cada dois habitantes. Um serviço de vans que ofereça conforto, qualidade e pontualidade estimularia muita gente a deixar o carro em casa", defende Silva. O vereador lembra que o serviço de motoboys e o de transporte de alunos por perueiros estão em funcionamento, mesmo sem a regulamentaç o, gerando mais de 300 empregos na cidade.

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