Rio, 17 (AE) - A Imperatriz Leopoldinense venceu o carnaval do Rio de 99, depois de quatro anos sem título. A vitória surpreendeu até mesmo os integrantes da escola. Durante quase duas horas de apuração no Sambódromo, a verde e branco disputou ponto a ponto com a Beija-Flor. E, por meio ponto, a Imperatriz tirou o campeonato da azul e branco de Nilópolis. A vencedora fez 269,5 pontos contra 269, da segunda colocada.
A Mangueira, campeã de 98 com a Beija-Flor, não apresentou a mesma performance e ficou em sétimo no ranking. A Unidos do Viradouro, que desenvolveu o enredo sobre Anita Garibaldi, ficou em terceiro, seguida da Mocidade Independente de Padre Miguel, que sentiu na pele o erro cometido na evolução, e Acadêmicos do Salgueiro. As cinco primeiras voltam a desfilar no sábado , junto com as duas vencedoras do Grupo de Acesso A- Unidos da Tijuca e Unidos do Porto da Pedra. O Império Serrano e a São Clemente foram rebaixados para p Grupo de Acesso.
"Esse título já era esperado, porque fizemos um desfile correto e sem erros", disse o presidente da Imperatriz, Wagner Araújo, depois da divulgação das notas, ainda na Praça da Apoteose. Araújo não se surpreendeu com o único 9,5 dado à escola pelo jurado Maurício Salgueiro, no quesito "Alegorias e Adereços". Segundo ele, parte do acabamento do abre-alas arrebentou, deixando parte da armação metálica à mostra.
Como em outros anos, a carnavalesca Rosa Magalhães fez um enredo histórico. Em "Brasil mostra sua cara em... Theatrum Rerum Nataralium Brasilae" ela retratou obras de pintores trazidos ao País por holandeses no século 17. A vitória da Imperatriz ficou mais supreendente ainda porque até o fim do ano passado o barracão da escola estava praticamente vazio e parado porque não havia dinheiro para pagar os operários ou comprar material dos adereços, carros alegóricos e mesmo fantasias.
Mocidade- A nota 7,5 no quesito Evolução, dada pelo jurado Carlos Pousa, para a Mocidade Independente de Padre Miguel revoltou os componentes da agremiação. "Não é possível, esse cara não estava na avenida", gritou o puxador Wander Pires
logo depois de anunciada a nota. O presidente da Mocidade, José Tenório, manteve a calma. "Queremos ver a justificativa do jurados, só depois vamos decidir o que fazer", disse ele, garantindo que não pretende recorrer à Justiça.
A diretoria da Mangueira sentiu que o título não viria logo nas primeiras notas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, primeiro quesito a ser julgado, recebeu dois 9,5 e apenas um 10. Mas o que revoltou os mangueirenses foram os três 9,5 em Alegoria e Adereços. "Aí, é demais", exclamou álvaro Caetano, o Alvim, da Comissão de Carnaval.
Os torcedores da verde e rosa que foram ao Sambódromo também não se contentaram, gritando "é marmelada" para cada 10 dado à Imperatriz. O presidente da agremiação, Elmo José dos Santos, comentou: "Carnaval é isso mesmo; é feito de vitórias e derrotas". Elmo adiantou que manterá no ano que vem a mesma comissão de carnaval, inclusive o carnavalesco Alexandre Louzada e o coreógrafo Carlinhos de Jesus, responsável pela comissão de frente.

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